Crítica de Quinta: desvendando o tabuleiro luminense
Maquiavel já advertia que o príncipe sábio não espera a tempestade para fortalecer os muros. Age no silêncio do tempo bom.
Em Paço do Lumiar, a semana começou com portas fechadas e vozes baixas. Uma reunião. Quinze presentes. E decisões que já começaram a vir a público, estam mudando a paisagem política do município por pelo menos quatro meses.
O palanque foi definido. Os nomes, escolhidos. A máquina, apontada para uma direção só. Quem sobe, quem fica, quem se licencia e quem ocupa o lugar vazio. Tudo costurado antes que o calendário eleitoral exija qualquer movimento oficial.
Há, no entanto, uma fratura discreta. Nem todos os que estavam na sala saíram satisfeitos. E alguns que deveriam estar, não estavam. O consenso, no poder, raramente é total. É administrado.
O legislativo municipal, por sua vez, pode acordar em breve com rostos que poucos esperavam ver. Dez cadeiras substituídas não se trata de uma mera reconfiguração. É quase uma nova câmara dentro da mesma câmara.
A questão que fica não é quem entra ou quem sai. É saber se o que virá será melhor do que o que ficou.
