As cores do Brasil não têm dono: a retomada dos símbolos nacionais
Símbolo não é propriedade. Uma bandeira, uma camisa ou um par de cores não pertencem a partido, a governo ou a militante. Pertencem, de forma inalienável, ao povo que nasceu sob elas. Foi justamente isso que se perdeu de vista nos últimos anos, quando o espaço público foi tomado por uma polarização estética que sequestrou a nossa identidade visual mais básica.
Durante um tempo considerável, vestir verde e amarelo virou sinal automático de adesão política ao bolsonarismo. Esse fenômeno gerou um exílio cultural silencioso, aqueles que não se alinhavam ao grupo que se apropriou das cores passou a evitar a camisa da Seleção, a bandeira na janela e o orgulho visual da própria terra. É preciso entender a gravidade desse processo. Quando um grupo se apodera de um símbolo coletivo, ele não ganha o símbolo para o seu espectro ideológico; ele simplesmente faz com que todos os outros que não querem ser confundidos com extremistas o percam.

É nesse cenário que a foto de Lula com a camisa da Seleção ganha um sentido profundo. Trata-se de um gesto simples, quase banal, e por isso mesmo poderoso. A campanha “o verde-e-amarelo é nosso”, encabeçada pelo deputado André Janones e pelo canal “Exército do Lula”, não tenta inventar uma nova identidade. Ela opera um resgate, uma devolução. O ato simbólico realizado com os estudantes da UFMG encerrou um ciclo estratégico que começou nas ruas, passou pela disputa narrativa das redes e agora avança, finalmente, para a retomada das cores.
Há aqui uma lição que a filosofia ensina há séculos: o que se abandona por medo acaba tomado por quem não tem escrúpulo de ocupar. Os estóicos já alertavam que não cabe a ninguém nos tirar o que é nosso por direito, a não ser que nós mesmos façamos a entrega. Retomar as cores, portanto, é um ato de recusa a essa concessão histórica. É entender que o patrimônio cultural e afetivo de uma nação não pode ser privatizado por nenhuma facção política.

Essa disputa simbólica ganha contornos de urgência prática no cenário atual do Maranhão, onde a proximidade do segundo turno faz com que cada ponto percentual e cada nuance discursiva contem. Em um ambiente de alta voltagem eleitoral, uma campanha que escolhe falar de pertencimento, e não de ressentimento, abre canais de diálogo fundamentais. Ela conversa diretamente com o trabalhador, o estudante, o artista e o torcedor. Dialoga, em última análise, com todo mundo que, no fundo, nunca deixou de se sentir brasileiro.
A mensagem que fica desse movimento de retomada é clara e pedagógica. Os símbolos nacionais existem para unir, não para segregar. O Brasil, em toda a sua complexidade e pluralidade, pertence a todos os brasileiros. E o verde e o amarelo também.
