Câmeras de segurança registram Thiago em casa no horário do assalto à residência do vereador. PIX de R$ 320 (trezentos e vinte reais), comprovante de compra de bateria e pedido de dados de localização por ERBs reforçam a versão da defesa e podem ser decisivos para esclarecer o caso.
Uma nova revelação promete trazer importantes desdobramentos ao caso do gari Thiago Gomes da Silva, trabalhador negro e pobre que foi preso em 3 de outubro de 2026, após ser apontado pelo vereador Rafael Neves como um dos suspeitos de participação no assalto à residência do parlamentar, em Paço do Lumiar.
O advogado de Thiago já está de posse de imagens de videomonitoramento de uma vizinha do trabalhador, que colocam em xeque a acusação que resultou em sua prisão, posteriormente considerada ilegal pela Justiça.
Segundo informações obtidas com exclusividade pela reportagem, as gravações registram que Thiago chegou à sua residência por volta de 1h15 da madrugada do dia 3 de outubro de 2026 e somente voltou a sair pouco depois das 7h da manhã daquele mesmo dia.
O detalhe que chama a atenção é o horário do crime. O assalto à residência do vereador Rafael Neves ocorreu supostamente por volta das 3h30 da madrugada, justamente no intervalo em que, segundo as imagens, Thiago permanecia em sua própria residência.
A pergunta que não quer calar é: se Thiago estava em casa às 3h30, como poderia estar participando do assalto à residência do vereador Rafael Neves?
As revelações não param por aí. As gravações também mostram o veículo de Thiago com o capô levantado, enquanto o trabalhador observa o compartimento do motor. Segundo as informações apresentadas, o automóvel estava com problemas na bateria.
A reportagem obteve, com exclusividade, informações sobre um PIX de R$ 320,00 (trezentos e vinte reais), enviado pela namorada de Thiago às 9h12 do dia 3 de outubro de 2026, destinado à compra de uma bateria para o veículo.

Além da transferência bancária, a reportagem também obteve informações sobre o comprovante da compra da bateria, realizada no próprio dia 3 de outubro de 2026. O documento, em conjunto com as imagens de videomonitoramento, reforça a versão de que Thiago estava em sua residência no horário do crime e não teve envolvimento com o assalto à casa do vereador Rafael Neves.

A sequência dos acontecimentos é surpreendente e coloca a acusação do vereador Rafael Neves sob sérios questionamentos. Enquanto Thiago era apontado como suspeito de participação no assalto, as imagens de videomonitoramento e os documentos apresentados pela defesa revelam fortes indícios de que o trabalhador estava em sua própria residência no horário do crime.
A revelação levanta uma pergunta explosiva: teria o gari sido vítima de uma acusação leviana, sem elementos concretos que justificassem apontá-lo como um dos assaltantes?
O advogado de Thiago requereu a obtenção dos dados de localização por meio das Estações Rádio Base (ERBs), tanto do telefone celular do trabalhador quanto dos demais aparelhos celulares que estavam no local no momento do assalto à residência do vereador Rafael Neves.
O objetivo é confrontar os registros de conexão dos aparelhos com os horários do crime e com as imagens de videomonitoramento que situam Thiago em sua residência. A análise desses dados poderá contribuir para identificar as áreas em que os aparelhos estavam conectados no período investigado e verificar a compatibilidade das informações com as versões apresentadas.
A defesa sustenta que o conjunto formado pelas imagens, pelo PIX, pelo comprovante de compra da bateria e pelos dados de localização solicitados esclarecerá a inocência de Thiago e afastará a acusação de envolvimento no assalto.
Relembre o caso
Thiago foi preso por volta das 18h30 do dia 3 de outubro de 2026, aproximadamente quinze horas após o assalto à residência do vereador Rafael Neves. Segundo o relato do trabalhador, ele foi conduzido por policiais até a residência do parlamentar, onde teria sido apontado como um dos envolvidos no crime.
Posteriormente, foi encaminhado ao Plantão da Delegacia do Maiobão, onde acabou autuado em flagrante delito. Entretanto, no dia 4 de outubro de 2026, a juíza Stela Pereira Muniz Braga determinou o relaxamento da prisão em flagrante, diante da ausência dos requisitos legais para sua configuração e de questionamentos relacionados ao procedimento de reconhecimento.
Thiago também sustenta que não houve reconhecimento pessoal na delegacia, embora tenha sido confeccionado um Termo de Reconhecimento de Pessoas, circunstância cuja apuração é necessária para esclarecer a regularidade do procedimento.
A Justiça já considerou ilegal a prisão.
O caso Rafael Neves ganha, assim, um novo e importante capítulo. De um lado, a acusação que levou um trabalhador negro e pobre à prisão. Do outro, imagens de videomonitoramento, comprovantes financeiros e um pedido de dados de localização que poderão esclarecer onde Thiago estava no momento do crime.
O assalto ocorreu por volta das 3h30. Thiago chegou em casa às 1h15 e, segundo as gravações, somente saiu pouco depois das 7h da manhã.
A cronologia apresentada pela defesa provoca um questionamento inevitável: como sustentar que Thiago estava praticando o assalto se as imagens o situam em sua residência durante o período em que o crime aconteceu?
A defesa acredita que esse conjunto de provas esclarecerá a inocência do trabalhador e demonstrará que ele não participou do assalto à residência do vereador Rafael Neves.

