Ao se andar por Primeira Cruz, o abandono salta aos olhos. Nem a própria prefeitura escapou do descaso. O prédio que deveria simbolizar cuidado e organização apresenta tinta descascando, infiltrações e sinais claros de falta de manutenção, um retrato fiel do momento vivido pela cidade.




O cenário se repete em outros pontos. Monumentos históricos estão largados, o porto acumula lixo, ferrugem e entulho, prédios públicos seguem deteriorados e estruturas mostram desgaste avançado. Lugares que antes funcionavam como cartão-postal hoje estão tomados pelo mato alto e pelo tempo, sem ações concretas que indiquem recuperação ou zelo.


Mesmo diante dessa realidade, a Câmara Municipal decidiu aumentar o salário do prefeito, além de garantir benefícios como férias e décimo terceiro. Ao mesmo tempo, a população passou a sentir no bolso o peso do aumento de impostos. A decisão chamou a atenção e levanta questionamentos da população local.
Em vez de cobrar resultados ou endurecer a fiscalização diante do abandono visível da cidade, os vereadores optaram por um caminho questionável, para dizer o mínimo. Para quem vive Primeira Cruz, fica a sensação de que os vereadores trabalham para o prefeito e não para o povo que os elegeu.
A conta não fecha. E as fotos desta matéria ajudam a entender por quê. Não é discurso, não é narrativa política. É concreto quebrado, é lixo acumulado, é patrimônio esquecido. No fim, a pergunta permanece ecoando pelas ruas esburacadas e prédios descascados: se o abandono aumenta, os impostos sobem e o salário do prefeito é reajustado, quem, de fato, está sendo beneficiado por essas decisões?










