São Luís: prefeito destinou R$ 22 M para o carnaval após travar orçamento para o tratamento do câncer — As prioridades que definem a gestão Braide

Entre o carnaval e o tratamento de crianças com câncer, as escolhas do prefeito Eduardo Braide expõem o que realmente vem primeiro em São Luís

Governar é, antes de tudo, estabelecer prioridades. Todo orçamento público é um retrato das escolhas políticas de uma gestão, mais revelador do que discursos ou peças publicitárias no Instagram do prefeito. Em São Luís, o debate recente sobre o atraso no desenvolvimento tem sido empurrado para a Câmara Municipal, como se ali estivesse o nó do problema. Mas uma leitura mais atenta dos fatos mostra que a questão central não é quem vota, e sim quem decide para onde o dinheiro deve ir e em que ordem vêm as urgências.

Nos últimos dias, o discurso oficial tentou sustentar que o orçamento travou por responsabilidade dos vereadores. O que não aparece na propaganda é que a Câmara aprovou, em primeiro turno, a peça orçamentária. O impasse não nasceu do plenário, mas da condução política do processo. Recursos destinados à saúde, especialmente para a construção do Hospital Oncológico Pediátrico, seguem represados, mesmo estando previstos no orçamento. São cerca de 12 milhões de reais que permanecem sem liberação.

Enquanto isso, uma manobra judicial abriu espaço para que mais 22 milhões de reais fossem destinados ao carnaval. Não se trata de demonizar a festa, que também é expressão cultural e gera impacto econômico. A questão é outra, quando crianças em tratamento contra o câncer precisam aguardar e a folia não, a cidade passa a compreender, na prática, qual é a hierarquia das decisões. O orçamento deixa de ser apenas algo técnico para os entendidos da contabilidade e passa a funcionar como um mapa de prioridades políticas de quem deseja um dia chegar a ser governador.

É por isso que a narrativa de que a Câmara impede o desenvolvimento não se sustenta sozinha. Cumprindo seu papel institucional, os vereadores afirmaram que, após o carnaval, votariam em segundo turno o orçamento municipal. O processo legislativo segue seu curso. O que permanece em aberto é a opção do Executivo por manter travados recursos sensíveis, justamente em uma área onde o tempo não é detalhe, é fator de sobrevivência de centenas de criancinhas.

Talvez a pergunta mais honesta não seja quem atrasa São Luís, mas quem define o ritmo desse avanço. Quando as escolhas orçamentárias passam a opor tratamento oncológico de criancinhas em detrimento de uma festa popular, o debate deixa de ser apenas administrativo e assume contornos morais. Uma semana após recusar-se a liberar emendas parlamentares destinadas ao Hospital Aldenora Bello, o prefeito Eduardo Braide recorreu à Justiça para assegurar um gasto milionário com o carnaval. O contraste não é retórico, é político, e revela, com clareza incômoda, que tipo de progresso está sendo priorizado.

Alex filósofo

O jornalista Alex Filósofo (DRT: 2255/MA), professor e apaixonado pela Filosofia, também é empreendedor, blogueiro e graduando em Marketing Digital. Além disso, se destaca como ativista social e cultural. Sua formação intelectual, influenciada pelos pensamentos de grandes nomes da filosofia e da política, resulta em uma crítica sempre desafiadora e esclarecedora.

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