Desde a Roma Antiga, o poder se conquista pela estratégia. Imperadores como Augustus negociavam alianças longe da multidão e, em público, vendiam a imagem de neutralidade e controle. O método atravessou os séculos e segue vivo na política contemporânea maranhense. Se repetindo de eleição em eleição.
O prefeito de São Luís, Eduardo Braide, parece repetir na pré-campanha ao Governo do Maranhão um roteiro já conhecido por quem acompanha sua trajetória política. O mesmo método que marcou sua primeira disputa pela Prefeitura volta à cena, agora em escala estadual, baseado na aproximação silenciosa com partidos e lideranças, seguida da negação pública de qualquer articulação. A leitura é do jornalista Marco Aurélio D’Eça, que aponta um padrão de comportamento mais personalista do que coletivo.
Desde o início de 2024, Braide vem mantendo conversas frequentes com lideranças remanescentes do grupo político do ex-governador Flávio Dino, em encontros que vão de jantares e almoços a reuniões reservadas em São Luís e em Brasília. Dessas conversas, segundo bastidores, surgiu a possibilidade de apoio do PT, partido do presidente Lula, um movimento que poderia redesenhar o tabuleiro da sucessão estadual. O problema é que, apesar das articulações avançadas, o prefeito segue negando publicamente qualquer diálogo nesse sentido.
A postura ficou ainda mais evidente após a negativa de participação em uma reunião, no dia 11, em Brasília, com o presidente nacional do PT, Edinho Silva. O encontro, no entanto, foi confirmado pelo próprio dirigente petista em reunião do diretório nacional, conforme relatam integrantes do PT, do grupo dinista e até do PSD. Para Marco Aurélio D’Eça, ao tentar negar fatos já reconhecidos nos bastidores, Braide acaba desmoralizando o próprio movimento que se forma em torno de sua candidatura, buscando um curioso equilíbrio, ter o lulismo sem Lula e o bolsonarismo sem Bolsonaro, enquanto transfere o desgaste político para aliados e interlocutores.
