Aliados de Brandão falam em “mão invisível” atuando no tabuleiro político, enquanto grupo ligado a Flávio Dino acumula vitórias judiciais
Brasília entrou de vez no tabuleiro político do Maranhão. Segundo aliados do governo, desde que Flávio Dino chegou ao Supremo Tribunal Federal, uma sequência de decisões tem atingido diretamente aliados do governador Carlos Brandão, redesenhando forças no estado e levantando questionamentos sobre até onde vai o alcance dessa disputa. Na avaliação de aliados de Brandão, há uma espécie de “mão invisível” em atuação, numa analogia ao conceito formulado por Adam Smith em A Riqueza das Nações. Diferente do mercado descrito pelo economista, porém, interlocutores do grupo político afirmam que o que se observa no Maranhão é um tabuleiro onde decisões judiciais acabam influenciando diretamente o equilíbrio de forças.
Na prática, decisões recentes do STF alcançaram cargos estratégicos dentro da estrutura do governo Brandão. Um dos episódios mais marcantes foi o afastamento do então procurador-geral do Estado, Valdênio Caminha, após entendimento de descumprimento de decisões judiciais relacionadas a casos de suposto nepotismo cruzado.

A ofensiva também chegou ao campo da comunicação. A determinação de busca e apreensão contra o jornalista Luís Pablo acendeu alerta entre profissionais da área e nos bastidores políticos. De acordo com o STF, a investigação apura um suposto monitoramento ilegal dos deslocamentos do ministro em São Luís. Já entre aliados do governo estadual, a leitura é de que a medida poderia ter como efeito a identificação de fontes e a contenção de vazamentos com potencial de desgaste político — interpretação que não é confirmada oficialmente.
Outras decisões também atingiram nomes ligados ao governo estadual em diferentes frentes administrativas, incluindo questionamentos sobre nomeações no Executivo e no Legislativo. Em comum, os processos envolvem discussões sobre nepotismo, legalidade administrativa e limites das indicações políticas.
Esse cenário ocorre em meio a uma ruptura política construída ao longo dos últimos anos. Carlos Brandão, que foi vice de Flávio Dino por dois mandatos, assumiu o governo e consolidou uma base própria. Com isso, parte dos aliados históricos do ex-governador perdeu espaço na administração estadual e passou a atuar de forma mais ativa no campo político e jurídico.

Nesse contexto, a judicialização se tornou um dos principais caminhos da disputa. Ações têm sido levadas ao STF envolvendo interesses políticos locais, como as indicações para o Tribunal de Contas do Estado, que seguem em debate.
Nomes como Márcio Jerry e Othelino Neto aparecem entre os atores políticos que acompanham de perto essas movimentações, em um cenário onde decisões judiciais e articulações políticas caminham lado a lado.
No fim, o que se desenha é um ambiente de disputa que ultrapassa os limites do estado e chega às instâncias mais altas do Judiciário. E a pergunta que permanece, ainda sem resposta clara, é até que ponto o rumo da política maranhense continua sendo definido localmente, ou se já passou a depender, cada vez mais, das decisões tomadas em Brasília.
