Happy Hour: a hora feliz que revela uma vida infeliz
Existe uma cena que se repete toda semana como um ritual sem consciência
Toda semana a mesma cena, cinco dias reclamando do trabalho, da rotina, das pessoas, e na sexta, o alívio. O sorriso. O happy hour como se fosse um sacramento semanal.
O filósofo é professor brasileiro Clóvis de Barros Filho tem um livro cujo título já é uma sentença: Happy Hour é na Segunda. A provocação é direta, se a sua hora feliz só chega quando o expediente termina, o problema não é o horário. É a vida que você montou.
E Nietzsche aperta ainda mais o parafuso.
No livro A Gaia Ciência, ele propõe o experimento mental do eterno retorno: e se cada momento da sua vida, cada dor, cada prazer, cada segunda-feira, tivesse de se repetir eternamente na mesma ordem, sem nada de novo? você quer isso ainda uma vez e inúmeras vezes?
Se a resposta for não, o problema não é a semana. É a existência que você construiu dentro dela.
O cansaço de quem vive contando os dias até sexta raramente é físico.
É existencial.
É o desgaste silencioso de acordar todos os dias sem encontrar sentido no que faz. Uma contagem regressiva disfarçada de rotina.
No fundo, a pergunta mais honesta é inteligente a se fazer não é “o que você vai fazer no fim de semana?”
…E sim…
“Que tipo de vida você construiu para precisar fugir dela toda sexta-feira?”
