Bastidores do Encontro dos Amigos | O poder temporário também embriaga e humilha
Segundo relatos de testemunhas ouvidas por este humilde blogueiro, o carro de uma chefe de gabinete do executivo municipal, Daisy, teria causado rebuliço em plena via pública, justamente no momento em que centenas de pessoas se dirigiam ao evento que parou Paço do Lumiar. Um agente de trânsito tentou intervir. Na sequência, um policial à paisana e seguranças do evento entraram na discussão, que rapidamente evoluiu para um bate-boca. O resultado, segundo os relatos, foi um congestionamento desnecessário e uma cena que deixou a entrada do evento com cara de velho costume da política: a sensação de que alguns podem fazer o que aos demais não é permitido.
Étienne de La Boétie já explicava esse mecanismo há quase cinco séculos. O poder raramente oprime sozinho. Ele se espalha por pequenas parcelas, distribuídas entre quem acredita que um cargo, um crachá ou a proximidade com o governante lhe concede privilégios. É assim que nascem os pequenos tiranos, não pela força que possuem, mas pela autoridade que imaginam ter sobre os outros.
Este seu humilde blogueiro encerra com uma reflexão. Quando um simples cargo passa a ser confundido com salvo-conduto, a autoridade deixa de servir ao cidadão e passa a servir ao próprio ego de quem acha que 4 anos é pra sempre “sem saber que o pra sempre, sempre acaba”. E numa cidade onde tantos querem mandar, resta saber quem ainda se lembra de obedecer às mesmas regras que valem para o povo.
