Problemas no atendimento a crianças com TEA levam MPMA a acompanhar de perto atuação da Prefeitura de Paço do Lumiar
Nem sempre o governo que aparece no Instagram é o mesmo que o cidadão encontra na vida real. Praças, bloquetes, iluminação e eventos são importantes e ajudam a transformar a cidade, mas também podem acabar funcionando como uma espécie de maquiagem administrativa quando as obras visíveis ocupam todo o espaço do debate enquanto problemas menos fotogênicos permanecem esquecidos.
O caso do atendimento a crianças com TEA em Paço do Lumiar mostra justamente esse outro lado da cidade. O Ministério Público identificou dificuldades no acesso e na regularidade de consultas e terapias multidisciplinares, além de insuficiência de profissionais e da concentração do atendimento no Centro TEA da sede, fatores que podem contribuir para filas de espera e dificuldades de acesso.
Por isso, o MPMA instaurou um novo Procedimento Administrativo para acompanhar a execução do projeto “TEAchegando!”, que prevê a ampliação e descentralização do atendimento. A medida nasceu de apurações anteriores e terá caráter continuado, com mapeamento das necessidades da rede, reuniões técnicas e possibilidade de recomendações.
No fim, a questão não é ser contra praças ou pavimentação. É lembrar que uma cidade não se governa apenas por aquilo que pode ser mostrado. A verdadeira eficiência de uma administração também está naquilo que ninguém vê, nos serviços que funcionam todos os dias e na capacidade do poder público de cuidar justamente daqueles problemas que não rendem fotografia, curtida ou fogos de artifício.
A medida consta na Portaria nº 52/2026 – 3ªPJPLU, assinada em 22 de julho de 2026 pelo promotor de Justiça titular da unidade, Luís Samarone Batalha Carvalho. O novo procedimento é resultado do desdobramento das apurações realizadas no SIMP nº 000646-507/2025, que será arquivado para dar lugar a um acompanhamento específico das políticas públicas relacionadas ao atendimento de crianças com TEA.
