Uma criança autista, não verbal, de apenas cinco anos, sofreu uma grave lesão dentro de uma clínica em São Luís, passou por cirurgia e agora enfrenta uma segunda agressão: o bloqueio institucional que impede sua família de acessar o vídeo capaz de esclarecer o que realmente aconteceu. O processo está sob segredo de justiça, a delegacia informa que não possui mais acesso aos autos e a família continua presa num labirinto burocrático, sem respostas e sem conseguir adotar plenamente as medidas cabíveis.
Em período de campanha eleitoral, aparecem discursos, vídeos, abraços e promessas em defesa das crianças autistas. Mas onde estão essas autoridades quando uma família precisa de ajuda concreta? Cadê o governador? Cadê os deputados estaduais e federais que levantam a bandeira do autismo nos palanques? Cadê os candidatos que transformam inclusão em propaganda eleitoral? Defender a causa somente diante das câmeras é fácil. Difícil é enfrentar o silêncio das instituições quando uma criança vulnerável precisa de proteção.
A OAB/MA, o Ministério Público, o Poder Judiciário e as autoridades políticas precisam olhar imediatamente para esse caso. O segredo de justiça existe para proteger a criança, não para impedir que seus próprios pais e o advogado constituído tenham acesso reservado às provas. Uma família não pode ser obrigada a peregrinar entre delegacia, Ministério Público e Justiça enquanto o vídeo permanece inacessível e as perguntas continuam sem resposta.
Chega de discursos ensaiados sobre inclusão. Chega de usar crianças autistas como cenário de campanha e desaparecer quando surge um caso grave. Quem ocupa cargo público ou pede voto afirmando defender essa causa precisa se manifestar, cobrar providências e acompanhar o caso até que a família tenha acesso aos autos e às imagens.
A pergunta será feita a cada autoridade que aparecer pedindo votos: o que você fez por essa criança? O silêncio também será lembrado. A família quer acesso à verdade, respeito às prerrogativas da defesa e uma resposta urgente do Estado. Autismo não é bandeira eleitoral. Criança autista não é peça de propaganda.

