Paço do Lumiar: vereador licenciado se recusa a entregar gabinete e suplente fica sem espaço para trabalhar
“O poder revela o homem.”
Dez vereadores. Dez licenças. Dez suplentes convocados para ocupar as vagas na Câmara Municipal de Paço do Lumiar às vésperas do calendário eleitoral de 2026.
A movimentação, segundo fontes ouvidas sob reserva, não tem nada de espontânea. Trata-se de estratégia para abrir espaço institucional para apoiadores e cabos eleitorais, municiando-os com o título de vereador em ano de disputa por cargos federais e estaduais. Prática corriqueira na política maranhense. Mas nem sempre tão exposta quanto em Paço do Lumiar.
Acontece que um dos vereadores licenciados, segundo apurou esta redação, resolveu que gabinete cedido não significa gabinete entregue. Recusou-se a repassar a chave à suplente que assumiu formalmente sua cadeira. Resultado: uma parlamentar em pleno exercício do mandato, sem acesso ao próprio espaço de trabalho.
Birra de criança contrariada, diriam alguns. Mas birra com consequências institucionais, porque a Câmara tem o dever de garantir estrutura mínima a quem exerce o mandato, suplente ou não.
No centro da controvérsia, o nome de Rafael Neves aparece com destaque. Vereador licenciado, hoje pré-candidato a deputado federal, ele estaria, segundo fontes, despachando normalmente no gabinete, apesar de, segundo relatos de quem acompanhou a sessão de posse dos novos parlamentares, ter declarado publicamente seu orgulho em ceder o espaço a substituta.
A empolgação do discurso, ao que tudo indica, não sobreviveu ao primeiro dia fora do mandato.
Este humilde escriba se pergunta: quantas outras promessas vão evaporar ou já evaporaram da mesma forma, assim que as câmeras se desligaram?
Resta saber se o presidente da Casa, Fernando Feitosa, vai tratar o episódio como assunto interno, resolvido em conversas de bastidor, ou se vai agir para garantir à suplente o pleno exercício do mandato que a urna, ainda que indiretamente, lhe conferiu. E resta saber, também, se o Ministério Público vai continuar de braços cruzados diante de uma parlamentar impedida de exercer plenamente sua função, ou se vai enxergar aí motivo suficiente para provocar a Câmara a explicar por que a chave de um gabinete público segue nas mãos de quem já não tem mandato para ocupá-lo.
A chave, por ora, segue com quem não devia estar com ela.
