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A moralidade pública e a inviolabilidade do corpo feminino: TSE decide que agressão contra a mulher pode tornar candidato inelegível

“Uma sociedade se mede pela forma como protege quem mais precisa de proteção.”
Alex Filósofo

A recente e histórica decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que barrou a candidatura de políticos condenados por lesão corporal e violência doméstica baseada no gênero, reconecta o Direito brasileiro à sua finalidade mais nobre, a defesa da dignidade humana. Do ponto de vista filosófico, o ato de erguer a mão contra uma mulher não agride apenas o tecido biológico, ele rasga o pacto ético fundante de qualquer civilização. Como bem provocou a filósofa Simone de Beauvoir, “nada surge no mundo que não seja a extensão de um corpo”. Ao tentar subjugar a existência e a autonomia feminina por meio da força física, o agressor demonstra uma total incapacidade de viver sob as regras do respeito mútuo, desqualificando-se moralmente para o exercício de qualquer liderança pública.

Escrevo isso como jornalista, mas sobretudo como pai de uma menina de 8 anos. Quando olho para ela, não consigo aceitar que o país ainda precise de uma decisão judicial para afirmar o óbvio, que quem agride uma mulher não tem condição moral de representar ninguém. Não compactuo com tamanha barbaridade, e nenhum pai ou mãe deveria compactuar. Permitir que as mesmas mãos que desferiram a brutalidade covarde no ambiente doméstico venham a empunhar a caneta que assina leis ou governa um povo seria uma contradição ética insustentável. A política deve ser, por definição, o antídoto da barbárie e o império da razão, não um refúgio de impunidade para criminosos.

Nas palavras do filósofo Immanuel Kant, o ser humano deve ser tratado sempre como um fim em si mesmo, e nunca apenas como um meio. O corpo da mulher é um limite civilizatório sagrado, um território inviolável que o Estado tem a obrigação moral de salvaguardar. Quero que minha filha cresça num país onde a política seja lugar de quem respeita, e não de quem violenta.

Alex filósofo

O jornalista Alex Filósofo (DRT: 2255/MA), professor e apaixonado pela Filosofia, também é empreendedor, blogueiro e graduando em Marketing Digital. Além disso, se destaca como ativista social e cultural. Sua formação intelectual, influenciada pelos pensamentos de grandes nomes da filosofia e da política, resulta em uma crítica sempre desafiadora e esclarecedora.

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