Orientações de preparação tratam de situações cotidianas, como apagões e tempestades; vídeos que associam o material a uma catástrofe global ou guerra iminente distorcem os fatos
Circulam nas redes sociais vídeos e mensagens que afirmam que governos estariam orientando a população a estocar comida porque uma catástrofe global ou uma guerra seria iminente. A informação é falsa.
O que é real
Países como Reino Unido, Alemanha, Japão e membros da União Europeia orientam a população a manter suprimentos básicos em casa, como água, alimentos não perecíveis e lanternas, suficientes para cobrir de três a dez dias.
No Reino Unido, o governo recomenda que cada domicílio tenha um kit de emergência para resistir por três dias sem ajuda externa. Ministros britânicos afirmam que não há uma emergência específica à vista e que a orientação não tem relação com o fim do mundo.
Na Alemanha, o Escritório Federal de Proteção Civil e Assistência em Catástrofes (BBK) recomenda estoque de alimentos e bebidas para no mínimo três e, se possível, dez dias.
No Japão, o ministro de Gestão de Desastres, Goshi Hosono, defende um mínimo de três dias de suprimentos essenciais, de preferência uma semana, incluindo itens sanitários de emergência. O apelo nacional foi anunciado para esta segunda-feira (2), junto com a criação da nova Agência de Gestão de Desastres, voltada a terremotos, tufões e outros desastres naturais.
Na União Europeia, a Comissão Europeia lançou a Estratégia da União de Preparação, que prevê diretrizes para que a população seja autossuficiente por no mínimo 72 horas. As orientações abrangem desastres naturais, ciberataques e crises geopolíticas.
As recomendações servem para cenários cotidianos e locais, como apagões de energia, tempestades severas ou interrupções digitais, a exemplo de ataques cibernéticos a redes de distribuição. Não há anúncio de emergência global ou de apocalipse.
O que é falso
Os conteúdos que circulam nas redes afirmam que a divulgação das orientações na Europa e na Ásia seria um aviso secreto de que o “fim do mundo” ou uma terceira guerra mundial começaria nos próximos dias. Não há qualquer evidência que sustente a alegação.
Riscos do compartilhamento sem checagem
Repassar conteúdos alarmantes sem verificar a veracidade pode trazer consequências que vão além da desinformação:
- Pânico coletivo e desabastecimento: o medo leva consumidores aos supermercados sem necessidade, o que pode provocar falta de produtos, alta de preços e prejudicar quem precisa comprar itens básicos.
- Saúde mental: o excesso de conteúdo apocalíptico falso pode elevar a ansiedade e o estresse, com impacto maior sobre idosos e jovens vulneráveis.
- Descrédito de alertas verdadeiros: quando autoridades emitem avisos reais, como a aproximação de um ciclone ou a necessidade de vacinação, o público, cansado de alarmes falsos, tende a ignorá-los, o que coloca vidas em risco.
- Monetização do medo: canais e perfis que disseminam pânico acumulam visualizações e seguidores e lucram com cliques e engajamento.
Como se proteger da desinformação
- Desconfie do formato: vídeos com música dramática, letras vermelhas em caixa alta e frases como “o que a mídia não te conta” são produzidos para manipular emocionalmente.
- Consulte fontes oficiais: antes de repassar, verifique se portais de notícias confiáveis ou agências de checagem validaram a informação.
- Pare diante do impacto emocional: conteúdos falsos costumam apelar ao medo ou à indignação. Se a mensagem causou susto, a regra é não compartilhar até investigar.
A informação correta pode salvar vidas, enquanto o pânico desnecessário só causa danos.
Fontes consultadas
- Reino Unido: LBC e Yorkshire Post
- Alemanha: Prefeitura de Berlim (proteção civil) e Distrito de Harburg, Hamburgo, citando o BBK
- Japão: IBTimes UK, Governo Metropolitano de Tóquio e Agência de Bombeiros e Gestão de Desastres do Japão
- União Europeia: Reuters, via Cyprus Mail e Taipei Times

