Caso Rafael Neves: processo cita valor dez vezes maior que o divulgado pelo vereador, e Justiça concede proteção a mulher que ele acusa de envolvimento no assalto
Trinta mil ou trezentos mil? A conta do vereador não fecha
O vereador Rafael Neves teve a casa invadida. Em vídeo no Instagram, disse que o prejuízo foi de cerca de R$ 30 mil. Mas um processo na Justiça do Maranhão fala em R$ 300 mil, e a conta, publicamente, não fecha.
Nesse processo, uma mulher relatou que, na madrugada de 11 para 12 de outubro, quatro homens encapuzados invadiram a casa dela e exigiram R$ 300 mil, dinheiro que, segundo eles, teria sido tirado do vereador. Segundo a própria vítima, os invasores se apresentaram como policiais e cobravam o dinheiro roubado da casa do parlamentar.
Ainda segundo a vítima, cerca de uma semana depois da invasão a sua residência, o vereador passou a acusá-la de ameaça-lo de morte. Em 17 de outubro, ela relatou à polícia que ele a xingou e incentivou o próprio pai a tirar a vida dela. Com base nisso, o juiz de plantão concedeu medidas protetivas: o vereador não pode se aproximar a menos de 300 metros nem entrar em contato com ela por nenhum meio.
Foi só depois de essa decisão vir à tona que o vereador passou a gravar vídeos dizendo que está sendo ameaçado. A Justiça ainda não decidiu quem tem razão: por enquanto, há apenas a versão da mulher que pediu proteção. Mas a ordem dos acontecimentos chama atenção, a diferença entre R$ 30 mil e R$ 300 mil também, e o fato de o assalto ter acontecido um dia antes das eleições.
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, com notório conhecimento jurídico, o caso poderá demandar a atuação da Justiça Federal e da Polícia Federal, diante do valor expressivo de R$ 300 mil mencionado no processo. A hipótese levantada é a de um possível crime eleitoral, caso se confirme que o dinheiro seria destinado ao pagamento de pessoas para atuar em atividades de boca de urna, ou mesmo para uma suposta compra de votos. Até o momento, porém, essa finalidade não está comprovada e deverá ser apurada pelas autoridades competentes.
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