Era apenas mais um dia como qualquer outro no coração de Paço do Lumiar. O prédio onde funciona uma inoperante entidade das artes e manifestações culturais — que aqui jaz —, chefiada por quem não faz questão de ajudar com um prego numa barra de sabão as pratas da casa, sempre botando um empecilho para quem não é de sua panelinha, parecia ser um espaço tranquilo, até que, de forma discreta e sem alarde, um assalto deixou todo mundo de orelha em pé.
O mais estranho é que, segundo fontes entranhadas na no órgão, os únicos itens levados foram uma quantia de dinheiro e um notebook, dizem que estrategicamente, pra não levantar suspeita.
A suspeita cresceu como uma névoa no campo, envolvendo os bastidores em um silêncio denso, como se o tempo tivesse parado. O dinheiro furtado era como uma estrela apagada, circulando no submundo com um destino específico, mas sem nunca brilhar na superfície. Ninguém ousava dizer para que serviria a quantia mensal que rola por lá é que poucas pessoas sabiam, como se o mistério fosse uma sombra que passeia pelos corredores.
Há suspeitas de que esse valor pudesse estar ligado a uma “fissura”. Por isso, o episódio não foi registrado oficialmente, nem virou manchete, e boa parte dos agentes políticos sequer ficou sabendo. Só alguns subordinados insatisfeitos, dias depois, começaram a unir as peças e, com isso, a dúvida cresceu: o que, afinal, estaria por trás desse assalto tão discreto?
