Torcida se revolta e crise se agrava: o Sampaio Corrêa à beira do colapso

O Sampaio Corrêa Futebol Clube-MA é considerado o clube mais tradicional do Maranhão e um dos mais tradicionais do Brasil. É o único clube brasileiro a ser campeão de três divisões diferentes: a Segunda Divisão de 1972 (atual Série B), a Terceira Divisão de 1997 (atual Série C) e a Série D de 2012. Todavia, a realidade hoje em dia é totalmente diferente: um clube sem estrutura, sem recursos financeiros, sem liderança e sem esperança, além de contar com o apoio reduzido de grande parte da torcida.

Como já dizia o filósofo italiano Nicolau Maquiavel, “um líder precisa ser como um leão para inspirar medo em seus seguidores. Além disso, deve agir como uma raposa para conseguir desviar das armadilhas de seus adversários”. Mas o que fazer quando seu maior adversário é o próprio líder?

De 2018 até 2022, a Bolívia Querida viveu seus melhores momentos. Foi o primeiro e, até hoje, único time maranhense a conquistar a disputada Copa do Nordeste. Em 2019, conquistou o acesso à Série B do Campeonato Brasileiro, sendo vice-campeã. De 2020 a 2022, disputou fortemente o acesso à primeira divisão. Parecia uma realidade paralela para os torcedores do futebol maranhense.

Entretanto, em 2023, tudo parece desmoronar. Após uma campanha ruim na Série B, o Sampaio Corrêa caiu para a Série C, fazendo totalmente o contrário do que o torcedor boliviano esperava para aquele ano.

Após sua queda livre, o Sampaio Corrêa quase fica sem divisão no calendário nacional em 2026, sendo salvo, após muita luta e diversos recursos, por uma decisão do STJD, que manteve, por 5 votos a 4, a decisão da 3ª Comissão Disciplinar favorável ao Caxias-RS no caso envolvendo a utilização do jogador Yuri Ferraz pelo clube gaúcho, na Série C de 2024.

Algo extremamente revoltante por parte da diretoria do Sampaio Corrêa é a venda do seu CT (José Carlos Macieira) a uma grande rede de supermercados, venda essa que não foi comunicada previamente.

O bem mais precioso de um clube de futebol é a sua torcida e, após anos de revolta, frustração e desconfiança, parte da torcida do Sampaio se cansou da atual gestão, que já está há anos no poder do clube, e criou o movimento “Sampaio é do povo”.

Segundo seus próprios idealizadores, o movimento “Sampaio é do Povo” é uma articulação democrática, popular e independente que nasce da paixão e do senso de responsabilidade de torcedores, sócios e cidadãos maranhenses comprometidos com a defesa intransigente do Sampaio Corrêa Futebol Clube como patrimônio material e imaterial do Maranhão.

A luta de uma torcida que ama seu time, que busca transparência e implora pela volta daquele Sampaio que encantava a todos no cenário nacional, não pode ser apagada nem esquecida.

Mas a dúvida que fica é uma só… ainda há esperança? Ou o Sampaio está cada vez mais distante de ser aquilo que um dia já foi?

James Ewerton

James Ewerton é um jovem ativista social e cultural de Paço do Lumiar, no Maranhão, profundamente apaixonado por sua terra e por suas raízes. Graduando em Educação Física, sempre demonstrou grande interesse por esportes, política e comunicação, áreas que influenciam diretamente sua atuação na sociedade. Desde os 12 anos de idade, dedica-se à promoção de rodas culturais voltadas à valorização da cultura afro-brasileira, contribuindo para o fortalecimento da identidade e da consciência social em sua comunidade. A partir dos 19 anos, ampliou sua atuação ao desenvolver projetos sociais voltados ao esporte, utilizando-o como ferramenta de inclusão, disciplina e transformação social entre jovens da periferia. Com uma trajetória marcada pelo engajamento comunitário, James busca, por meio do jornalismo esportivo, dar visibilidade a histórias, talentos e iniciativas que muitas vezes não recebem o devido reconhecimento, reforçando o papel do esporte como agente de mudança social.

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