Existe gente que confunde decepção amorosa com autorização moral pra fazer merda. Termina um relacionamento e acha que ganhou passe livre para virar vilão de tragédia barata. Dor vira desculpa, ciúmes vira argumento para crimes, e o cidadão com o ego ferido se acha no direito de decidir destinos que não são seus.
No reino da maturidade, separação é ponto final. No reino do descontrole, vira guerra e tragédia. E há também quem trate o fim de uma relação como se fosse quebra de honra medieval, exigindo punição, vingança ou espetáculo. Não se trata de amor ferido, é posse mal disfarçada. Não se trata de sofrimento, é incapacidade de aceitar que ninguém é objeto, muito menos propriedade.
O mais curioso é que até o objeto escolhido para o ato se recusou a colaborar. Falhou. Três vezes. Como se dissesse, silenciosamente, “não conte comigo para suas pataquadas”.
No roteiro dessa tragédia mal ensaiada, sobra covardia e falta humanidade. Um homem que se diz ferido tenta transformar a ex-companheira em coisa, como se fosse um móvel que ele pudesse quebrar por raiva. Como se amor RACHADO desse direito de posse.
E no meio disso tudo, quase sobra para quem não tem nada a ver com o drama, uma criança, uma vida pequena, fruto da relação, ameaçada pelo ego grande de um adulto que não aprendeu a perder. O anti-herói fracassado vira perigo público, por incapacidade de lidar com a própria frustração.
No fim, ficou a lição que nem precisava de legenda, quando a arma falha, mas a intenção não, o defeito não é somente da arma. É moral. E quando alguém acha que pode decidir quem vive ou quem morre por causa de ciúmes, não estamos diante de um apaixonado. Estamos diante de alguém que confunde sentimento com o poder que já teve um dia.
E todo mundo sabe, poder sem cabeça é sempre uma arma carregada. Mesmo quando não dispara.
Loucura total!!!
