Crítica de segunda: quando a beleza vira castigo

A mitologia nos ensina que até os deuses eram tomados pela inveja. Invejavam os humanos pela beleza, pela capacidade de agir, pela autonomia e, muitas vezes, apenas por insegurança diante do que não conseguiam controlar. Medusa é um desses símbolos, punida não pela sua beleza apetecível, mas por provocar desconforto naquelas que, envoltas pelo poder que herdaram ou administram, passam a se enxergar como deusas, intocáveis, acima de qualquer limite.

Nos corredores do poder, há amizades que atravessam décadas. Parcerias antigas, construídas na base da confiança, da lealdade e, principalmente, da utilidade política. Um agente da segurança pública, velho conhecido de um influente doceiro da região, experimentou por anos os benefícios dessa proximidade. Cargos estratégicos, lotações em municípios diferentes, sempre onde o raio de influência do mesmo grupo alcançava.

Mas o carnaval costuma revelar mais do que fantasias. Durante uma festa privada, organizada por uma figura central do Legislativo no ano de 2025, o agente levou consigo uma parente “jovem, bonita e carinhosa que faz o homem gemer sem sentir dor” como diria Zé Ramalho. O que deveria ser apenas mais um evento social terminou em constrangimento público. Olhares atravessados, clima pesado e, segundo relatos de testemunhas oculares, rolou muito tapa e uma reação explosiva protagonizada pela primeira-dama do MMA, que teria transformado o salão em octógono com direito humilhação. A beleza, que deveria ser neutra, passou a ser tratada como afronta, quase como na velha fábula em que Medusa não foi punida pelo erro, mas pela própria aparência que despertava temor e inveja nas mais feias.


Print do desabafo do ex apoiador “Quando a amizade acaba, o desabafo aparece.”

A partir dali, a chave virou. O que era amizade virou silêncio. O que era prestígio virou castigo. Em questão de dias, familiares do agente foram sendo exonerados, um a um, como se a estrutura pública fosse extensão de um quintal privado. O recado foi direto, que nem na Branca de Neve e nem “20” anões conseguiriam enfrentar a rainha má. Fontes ouvidas pelo blog afirmam que, nos bastidores, houve articulação direta do casal para isolar completamente o antigo aliado.

A retaliação teria ido além. Uma promoção aguardada pelo agente, dada como certa dentro da corporação, foi misteriosamente travada. Coincidência ou influência, fica a pergunta. O fato é que, pouco depois, um desabafo cifrado surgiu nas redes sociais, carregado de recados, metáforas e ressentimento. Não citava nomes, mas falava de soberba, de quem acredita ter alcançado “outro patamar” e já não precisa de ninguém.

No fim, a história se torna cíclica como roupas repetidas compradas na “lojinha do 20”. Assim como Medusa foi transformada em monstro por ser mais bela que a deusa, alianças políticas também são destruídas quando o poder passa a punir não atos, mas presenças apetecíveis. E como na velha narrativa de Sansão, não é o inimigo externo que derruba o herói, é sempre alguém muito próximo, puxando os fios certos, no momento exato.

Alex filósofo

O jornalista Alex Filósofo (DRT: 2255/MA), professor e apaixonado pela Filosofia, também é empreendedor, blogueiro e graduando em Marketing Digital. Além disso, se destaca como ativista social e cultural. Sua formação intelectual, influenciada pelos pensamentos de grandes nomes da filosofia e da política, resulta em uma crítica sempre desafiadora e esclarecedora.

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