Duarte jogou primeiro… e tirou de Brandão o direito de apertar o gatilho
Na política, quem controla a narrativa costuma sair na frente. E a decisão de Duarte Jr. de devolver os cargos ocupados por seu grupo no governo Carlos Brandão pode dizer muito mais do que o comunicado oficial deixa transparecer.
À primeira vista, o gesto parece apenas um desdobramento natural do distanciamento entre o deputado e o Palácio dos Leões. Mas, olhando além da superfície, há uma leitura que ganha força nos bastidores.
E se Duarte apenas tiver jogado primeiro para evitar um final mais vexatório?
Caso o governador Carlos Brandão resolvesse exonerar Karen Barros da presidência do Procon-MA e os demais indicados ligados ao deputado, a narrativa poderia ser a de uma retaliação política. Duarte teria um discurso pronto de perseguição e rompimento imposto pelo governo, mas será se esse discurso colaria mesmo ele sendo dono do feudo tanto tempo depois do rompimento?
Ao entregar os cargos antes da decisão do governador, porém, ele muda completamente o roteiro. Deixa de ser alguém que foi retirado da estrutura como um coitadinho para se apresentar como quem decidiu sair por vontade própria.
Em política, essa diferença vale muito.
Havia também um problema de imagem que começava a incomodar. Nos bastidores, já era difícil explicar como Duarte mantinha um discurso de afastamento do governo enquanto sua esposa, Karen Barros, permanecia no comando de um dos órgãos mais estratégicos da administração estadual. O contraste entre discurso e prática alimentava críticas de adversários e causava desconforto até entre aliados.
Nesse cenário, permanecer na estrutura do governo poderia desgastar mais do que fortalecer sua posição. A devolução dos cargos resolve esse impasse e ainda lhe permite reconstruir um discurso de independência.
Duarte evitou ataques pessoais, não fechou portas e preservou espaço para futuras conversas. A política ensina que pontes queimadas raramente são reconstruídas.
No fim, a grande questão talvez não seja por que Duarte entregou os cargos, mas por que escolheu fazer isso agora.
Coincidência ou estratégia?
