O problema não é a viagem em si, mas o simbolismo do gesto, enquanto a cidade que o elegeu segue sem respostas concretas sobre um tema decisivo
Enquanto São Luís aguarda uma definição sobre o orçamento municipal, tema que impacta diretamente serviços básicos e o planejamento da cidade, chama atenção a postura de quem deveria estar concentrado nesse debate. O vereador Beto Castro, que se coloca como pré-candidato à presidência da Câmara, apareceu nas redes sociais em um cenário bem distante das urgências locais. Em vez de se dedicar às discussões que travam a máquina pública, preferiu dividir com o público um passeio turístico em outra capital.
O vídeo, gravado com drone em uma laje da Rocinha, mostra o parlamentar ao lado de turistas brasileiros e estrangeiros que enfrentam longas filas e chegam a pagar caro para registrar a vista panorâmica da comunidade. As imagens destacam o enorme aglomerado de casas e a paisagem típica do local, hoje transformado em atração turística. O problema não é a viagem em si, mas o simbolismo do gesto, enquanto a cidade que o elegeu segue sem respostas concretas sobre um tema decisivo.
A cena nos mostra um contraste difícil de ignorar. De um lado, a população de ludovicense esperando que seus representantes cumpram o papel institucional de votar e organizar o orçamento. Do outro, um vereador que aposta na estética das redes sociais e em turismo em periferia do RJ como vitrine política. Fica a sensação de que o foco se deslocou do interesse coletivo para a construção de imagem pessoal, justamente no momento em que se esperava compromisso e presença ativa no debate público.
