Federação só no papel? PV abandona PT e PCdoB e embarca com Orleans
A política tem dessas ironias. Há quem diga que papel aceita tudo. A Federação Brasil da Esperança parece confirmar a máxima.
Criada para unir PT, PV e PCdoB, a federação vive no Maranhão uma realidade completamente diferente da teoria. Enquanto PT e PCdoB fecharam questão em torno da candidatura de Felipe Camarão, o PV decidiu atravessar a rua e anunciar apoio justamente ao principal adversário, Orleans Brandão.
Na prática, o recado é claro, a federação existe no papel, mas cada partido parece jogar o seu próprio jogo.
O movimento não surgiu do nada. Desde que ficou evidente o afastamento entre o grupo do governador Carlos Brandão e o núcleo político ligado a Flávio Dino, os sinais de desgaste se acumulavam. Vieram as disputas de bastidores, os recados públicos, as convenções e, agora, mais um capítulo que torna praticamente impossível sustentar a imagem de unidade.
O apoio do PV a Orleans vai muito além de uma simples aliança eleitoral. É um gesto político carregado de simbolismo. O partido decidiu contrariar seus próprios companheiros de federação para caminhar ao lado do grupo governista, ampliando ainda mais a crise dentro da Brasil da Esperança.
A pergunta que fica é inevitável. Se os partidos da mesma federação não conseguem marchar juntos na principal eleição do estado, qual é, de fato, o sentido dessa união?

Nos bastidores, a leitura é de que esse não será o último episódio dessa novela. Ao contrário. A tendência é que novos capítulos coloquem à prova a autoridade das direções nacionais e revelem que, no Maranhão, as alianças de Brasília parecem não ter validade quando confrontadas com a realidade da política local.
No fim das contas, a federação continua existindo. Mas apenas no estatuto. Na prática, o Maranhão já mostrou que cada cacique partidário já decidiu seguir seu próprio caminho.
Texto: Alexsandro Costa DRT- 2255/MA
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