Moraes acusa Mendonça de direcionar investigações contra ele e Alcolumbre e fomenta uma crise sem precedentes no STF
A crise institucional no Supremo Tribunal Federal ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (3), quando o ministro Alexandre de Moraes encaminhou ao presidente da Corte, Edson Fachin, um despacho apontando supostas irregularidades na atuação do ministro André Mendonça na relatoria de processos relacionados às operações Sem Desconto e Compliance Zero. Segundo o documento, Mendonça teria praticado condutas tipificadas como improbidade administrativa e abuso de autoridade, com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos, incluindo direcionamentos de investigação contra o próprio Moraes e contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O caso foi formalizado dentro do Inquérito das Fake News e também comunicado à Procuradoria-Geral da República, cabendo ao plenário do STF decidir sobre o prosseguimento do pedido.
O movimento de Moraes ocorre dois dias depois de Mendonça, relator do caso Banco Master, retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reuniu 51 mensagens trocadas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, conteúdo que já havia sido revelado pelo jornal Estadão. A sequência de decisões cruzadas escancarou o desgaste entre os dois ministros e alimentou a leitura, na oposição, de que o inquérito das fake news estaria sendo usado como instrumento de retaliação. Parlamentares como Rogério Marinho, Sóstenes Cavalcante, Eduardo Girão e Carlos Viana saíram publicamente em defesa de Mendonça, classificando a iniciativa de Moraes como abuso de poder e cobrando explicações sobre eventual uso do cargo para constranger um colega de Corte.
Do lado governista, a reação seguiu um caminho distinto: em vez de comentar diretamente o embate entre os dois ministros, parlamentares como Rogério Correia, José Guimarães e Gleisi Hoffmann concentraram as críticas nas conexões do Banco Master com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo suspeitas sobre financiamento de campanhas em 2022. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou um vídeo nesta quinta-feira sobre a crise, reforçando o discurso de que a instituição não pode ser refém de vazamentos seletivos. O episódio é descrito por analistas ouvidos pela imprensa como uma crise sem precedentes no Supremo — não apenas pelo conflito aberto entre ministros, mas pelo risco de contaminar ainda mais a credibilidade da Corte às vésperas do ciclo eleitoral de 2026.
