No Maranhão das oligarquias, prefeitos tiram licença para eleger esposas e parentes
O poder, quando não serve a quem o concedeu, torna-se usurpação disfarçada de dever
Em Tuntum, o prefeito Fernando Pessoa anunciou licença do cargo. Não para tratar da saúde. Não para resolver questão pessoal grave. Mas para se dedicar, em tempo integral, às pré-candidaturas de seu grupo e em especial a de Bruna Pessoa, o sobrenome não é coincidência, à Assembleia Legislativa.
Está se tornando cada vez mais comum. Toda a classe política maranhense se mobilizando para o que promete ser uma das disputas eleitorais mais difíceis de todos os tempos.
Mas até onde vai o aceitável?
É justo um prefeito eleito pelo povo, para administrar, não para fazer campanha, pedir licença de suas obrigações para reforçar candidaturas de aliados? E quando a candidatura reforçada é a de um parente, esposa ou filho, a pergunta muda de natureza: deixa de ser sobre aliança política e passa a ser sobre uso do mandato como trampolim familiar.
O vice assume. A máquina continua girando. E o eleitor que votou em um nome para cuidar da cidade descobre, meses antes da eleição, que aquele nome já não está mais interessado em cuidar da cidade, está interessado de verdade em eleger sua esposa ou irmão…
Não há ilegalidade nisso. A legislação eleitoral permite a licença. O que está em jogo não é o texto da lei, mas o espírito do mandato.
Fica a pergunta, sem resposta fácil: um prefeito de licença para fazer campanha ainda é prefeito de quem o elegeu, ou já é apenas cabo eleitoral, ou mesmo arquiteto de um projeto de poder familiar?
