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O preço de ser competente em um ambiente medíocre 

Existe uma cena que se repete em empresas, clínicas, escritórios e repartições públicas. Alguém trabalha, entrega resultados e conquista a confiança dos clientes. Em vez de servir de inspiração, torna-se alvo de comentários, fofocas, críticas desproporcionais e, às vezes, de uma silenciosa campanha para que deixe de brilhar. A pergunta é inevitável: por que a competência incomoda tanto?

No antigo templo de Delfos, uma inscrição famosa já alertava: “conhece-te a ti mesmo”. Séculos depois, Freud mostraria que isso é mais difícil do que parece, porque nem tudo o que sentimos está claro para nós mesmos. E é justamente aí que muitos conflitos do ambiente de trabalho começam, especialmente quando alguém competente passa a incomodar quem não consegue acompanhar.

É nesse ponto que entra um dos conceitos mais conhecidos da psicanálise: o recalque. Quando um sentimento é doloroso demais para ser aceito, como a inveja, a sensação de inferioridade ou o medo de não ser bom o bastante, a mente tende a empurrá-lo para fora da consciência. Só que o que é escondido não desaparece. Continua ali, agindo pelas beiradas de sua mente, e muitas vezes aparece disfarçado de crítica exagerada, ironia, fofoca, exclusão de reuniões ou até uma sabotagem silenciosa.

No fundo, nem sempre o problema está em quem se destaca, mas em quem não suporta ver o outro crescer. A presença de alguém que entrega mais, aprende mais rápido ou recebe reconhecimento pode funcionar como um espelho incômodo. Por isso, muita hostilidade no trabalho diz mais sobre o conflito interno de quem ataca do que sobre a pessoa atacada.

Isso não quer dizer que toda crítica seja motivada pela inveja. Há uma grande diferença entre um feedback sincero e o ressentimento disfarçado de crítica. No ambiente corporativo, saber distinguir um do outro pode ser a diferença entre crescer com maturidade ou adoecer tentando agradar quem nunca suportou a competência alheia.

No fim, talvez a velha máxima do templo de Delfos continue sendo o melhor conselho para a vida profissional de pessoas ainda medíocres tanto no ofício quanto na alma. Quem conhece as próprias limitações aprende com quem faz melhor. Quem foge delas costuma gastar mais energia tentando apagar o brilho alheio do que desenvolvendo a própria luz. E essa é uma batalha que, cedo ou tarde, termina em derrota.

Alex filósofo

O jornalista Alex Filósofo (DRT: 2255/MA), professor e apaixonado pela Filosofia, também é empreendedor, blogueiro e graduando em Marketing Digital. Além disso, se destaca como ativista social e cultural. Sua formação intelectual, influenciada pelos pensamentos de grandes nomes da filosofia e da política, resulta em uma crítica sempre desafiadora e esclarecedora.

Alex filósofo

Alex filósofo

O jornalista Alex Filósofo (DRT: 2255/MA), professor e apaixonado pela Filosofia, também é empreendedor, blogueiro e graduando em Marketing Digital. Além disso, se destaca como ativista social e cultural. Sua formação intelectual, influenciada pelos pensamentos de grandes nomes da filosofia e da política, resulta em uma crítica sempre desafiadora e esclarecedora.

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