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Primeiro se abre a porteira. Depois se culpa o boi por ter saído: o dilema das bets

“A fortuna é árbitra de metade das nossas ações, mas nos deixa governar a outra metade.” (Nicolau Maquiavel, O Príncipe, cap. XXV)

A proibição das bets chegou nove dias antes das urnas. O problema é verdadeiro. Agora as datas meus amigos, essas são muito suspeitas.

Sexta-feira, 25 de setembro. O presidente Lula assinou a MP 1.394, que proíbe as bets no Brasil, tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, a nove dias do primeiro turno. Coincidência? Este humilde blogueiro não afirma nada, apenas registra o calendário. O diagnóstico do governo é difícil de contestar: segundo o Comsefaz, as famílias perderam R$ 62,5 bilhões para as plataformas em 2025, e um levantamento citado pela Agência Brasil mostra que 20,4% dos estudantes ouvidos já apostaram online, com casos entre crianças de 11 anos. Pesquisa Atlas/Bloomberg aponta que 75% dos brasileiros querem o fim das bets. Por uma vez, povo e governo dizem a mesma coisa.

Mas a porteira tem dono. Foi o mesmo governo que regulamentou o setor no fim de 2023, cobrou outorgas e celebrou a arrecadação. O Jornal Nacional destacou justamente essa contradição: o Estado regulamentou, tributou, viu o mercado explodir e, na reta final da campanha, optou pela proibição total. Analistas e opositores, segundo a imprensa, apontam o timing eleitoral, com Lula e Flávio Bolsonaro empatados tecnicamente nas pesquisas.

Representantes do setor, que têm interesse direto no assunto, afirmam que a proibição pode empurrar dezenas de milhões de apostadores para plataformas clandestinas, que já responderiam por cerca de 40% do volume e não oferecem alerta de vício nem controle algum. Enquanto isso, o futebol descobre o tamanho da própria dependência: as bets pagaram R$ 1,143 bilhão em patrocínios aos 20 clubes de maior receita em 2025, e 14 clubes da Série A carregam a marca de uma casa de apostas na camisa. Segundo a imprensa, o governo já prepara um auxílio de R$ 20 bilhões aos clubes. O dinheiro público chega depressa quando a torcida grita.

Agora, o relógio. A MP vale 60 dias, prorrogáveis por mais 60, e precisa ser votada pelo Congresso. O setor já foi ao STF, a AGU pediu 72 horas para responder, e há parlamentares falando em mudar o texto. Há até quem aposte, e a ironia é involuntária, que ela simplesmente caduque depois das urnas. Se caducar, as bets voltam. Se passar, resta saber se haverá fiscalização, tratamento para os viciados e alternativa para quem já está no fundo do poço. Decretar o fim de um vício é fácil, basta uma caneta e uma data. Difícil é fechar o ralo do Pix, curar quem perdeu tudo e explicar por que o mesmo poder que abriu a porteira agora exibe a chave. A fortuna decide metade. A outra metade, dizia o florentino Maquiavel, é nossa. Resta saber se alguém pretende controla-la depois de 4 de outubro ou se é só joguinho eleitoral.


Alex filósofo

O jornalista Alex Filósofo (DRT: 2255/MA), professor e apaixonado pela Filosofia, também é empreendedor, blogueiro e graduando em Marketing Digital. Além disso, se destaca como ativista social e cultural. Sua formação intelectual, influenciada pelos pensamentos de grandes nomes da filosofia e da política, resulta em uma crítica sempre desafiadora e esclarecedora.

Alex filósofo

Alex filósofo

O jornalista Alex Filósofo (DRT: 2255/MA), professor e apaixonado pela Filosofia, também é empreendedor, blogueiro e graduando em Marketing Digital. Além disso, se destaca como ativista social e cultural. Sua formação intelectual, influenciada pelos pensamentos de grandes nomes da filosofia e da política, resulta em uma crítica sempre desafiadora e esclarecedora.

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