PT-MA em ebulição: críticas a supostos privilégios expõem racha e apoio de Cricielle a Orleans desafia candidatura de Camarão
A tradicionais crises internas do PT maranhense ganharam mais um ingrediente nesta semana. Questionamentos atribuídos ao petista Paulo Romão sobre supostos privilégios e repasses envolvendo nomes ligados à legenda, entre eles Cricielle Muniz e Luanna Rezende, colocam novamente em evidência uma disputa que vai muito além da eleição para a Assembleia Legislativa. O episódio revela um partido dividido sobre espaços, recursos e, principalmente, sobre qual projeto político deve prevalecer no Maranhão.
As críticas, divulgadas pelo jornalista Neto Cruz, levantam suspeitas de tratamento diferenciado dentro da estrutura partidária. Não há, até o momento, elementos públicos suficientes para afirmar que tenha ocorrido qualquer irregularidade, mas o simples fato de os questionamentos surgirem em plena pré-campanha expõe o nível de tensão entre grupos que disputam influência dentro do PT maranhense.
E há uma contradição política ainda mais evidente. Cricielle Muniz é candidata pelo PT à Assembleia Legislativa, mas mantém uma aproximação pública com Orleans Brandão (MDB), adversário direto do próprio candidato petista ao Governo do Maranhão, Felipe Camarão. Em junho, a própria campanha de Cricielle registrou um grande encontro no São Francisco com a presença de Orleans, reafirmando a aproximação política entre os dois projetos.
O caso de Cricielle, porém, não é isolado. O PT maranhense chegou à eleição de 2026 rachado em relação à sucessão estadual. De um lado, está Camarão, oficialmente lançado pelo partido; de outro, petistas e dirigentes que decidiram apoiar Orleans. Washington Oliveira, por exemplo, retirou sua pré-candidatura a deputado federal e declarou apoio ao candidato do MDB. A própria presidente estadual do PT, Patrícia Macieira, entrou recentemente no debate após a disputa envolvendo o uso da imagem de Lula na campanha de Orleans.
Nos bastidores, a equação é curiosa: o mesmo partido que apresenta Camarão como seu candidato ao Palácio dos Leões abriga candidaturas proporcionais que fazem campanha ao lado de seu principal adversário. A justificativa política passa pela defesa da reeleição de Lula e pela estratégia de preservar pontes com diferentes grupos, mas o resultado é uma legenda que chega às urnas com duas narrativas distintas para o eleitor maranhense.
É nesse cenário que as acusações e questionamentos sobre privilégios ganham peso político. Mais do que uma discussão sobre repasses, o episódio expõe uma velha disputa partidária por espaço, influência e acesso às estruturas de poder. E, enquanto Camarão tenta apresentar-se como o candidato do PT no Maranhão, uma parcela significativa da própria legenda parece disposta a jogar em outro campo.
No fim das contas, o eleitor terá uma pergunta inevitável: se o PT tem candidato ao governo, por que alguns dos seus próprios quadros mais competitivos estão caminhando politicamente ao lado de Orleans Brandão?
