A verdade é, desde sempre, o problema central da filosofia
Embora libertadora, a verdade nem sempre é bem-vinda, quem a procura muitas vezes não quer a resposta, ou prefere uma versão maquiada. A palavra em si já carrega um aviso: toda verdade pressupõe algo que estava coberto, e quem tira o véu precisa estar disposto a ver o que há embaixo.
O conceito grego de verdade é expresso pela palavra alétheia (ἀλήθεια), que literalmente significa o "não oculto" ou o "desvelamento".
O primeiro preço da verdade é o conforto. Perguntar “o que realmente aconteceu?” é aceitar que a resposta pode destruir a versão que nos protegia. Pilatos perguntou a Jesus “o que é a verdade?” e saiu antes da resposta, e é assim que muitos de nós fazemos. Nietzsche suspeitava que a vontade de verdade esconde uma coragem rara: a de suportar a realidade sem anestesia. Por isso preferimos a verdade pela metade, a que confirma o que já sentíamos e não cobra nada de nós.
Com o passado, o custo é ainda mais cruel, porque ele não pode ser alterado, apenas reinterpretado. O estoico Epicteto ensinava a separar o que depende de nós do que não depende, e o passado é o exemplo máximo do que não depende. Podemos escondê-lo, adorná-lo ou esquecê-lo, mas ele permanece como fato. A verdade sobre o que foi feito, dito ou calado cobra o preço do luto, aceitar que não há como voltar e que só resta decidir o que fazer com o que se sabe.

