Rosário deu voto, Braide virou as costas? Mais de mil votos e nenhuma emenda localizada
Na hora de conquistar mandato, Rosário apareceu no mapa político de Eduardo Braide. Na hora de devolver essa confiança em recursos, porém, o município parece ter desaparecido do radar. Em três eleições — 2010, 2014 e 2018 — Braide recebeu 1.046 votos dos rosarienses. Apesar disso, levantamento realizado em bases públicas de transparência não localizou emendas parlamentares individuais de sua autoria destinadas diretamente ao município durante os períodos pesquisados.
A conta chama atenção. Foram 65 votos para deputado estadual em 2010, outros 66 em 2014 e expressivos 915 votos para deputado federal em 2018. Braide passou pela Assembleia Legislativa, chegou ao Congresso Nacional e depois deixou Brasília para assumir a Prefeitura de São Luís. Rosário ajudou eleitoralmente nessa caminhada. A pergunta que agora precisa ser feita é simples: qual foi a contrapartida política para o município?
E não se trata apenas de Eduardo. Em 2022, Fernando Braide também foi buscar votos em Rosário e recebeu 113 votos para deputado estadual. Está no mandato desde 2023 e, segundo o levantamento realizado até aqui, também não foi localizado registro de emenda individual de sua autoria destinada diretamente ao município. A família encontrou votos em Rosário, mas os recursos parlamentares, ao menos nas consultas realizadas, ainda não fizeram o mesmo caminho.
Em período pré-eleitoral, quando discursos, visitas, abraços e promessas voltam a circular pelos municípios, Rosário tem o direito de abrir a calculadora. Política não pode funcionar como via de mão única: o eleitor entrega o voto e depois passa quatro anos esperando ser lembrado.
Se Eduardo Braide pretende novamente pedir a confiança dos rosarienses, desta vez mirando um projeto estadual, terá de enfrentar uma pergunta incômoda: depois de 1.046 votos recebidos em três eleições, o que efetivamente deixou para Rosário? A urna tem memória — e o eleitor também deveria ter.
