Há quem diga que a política é a arte do possível, mas também é, como diria Aristóteles, o exercício prático da virtude no campo coletivo. É nesse espírito que Felipe Camarão, vice-governador do Maranhão, parece respirar mais aliviado em 2025. Mesmo sem ser o preferido de Brandão na sucessão estadual, Camarão encontra, nas recentes declarações do novo presidente nacional do PT, Edinho Silva, uma centelha de esperança ,ou se quisermos, um sopro estratégico em meio à densa névoa que envolve o jogo de sucessão.
Edinho, eleito no último sábado (6 de julho) com cerca de 73% dos votos, trouxe consigo um discurso que reforça a alma do petismo: protagonismo político e construção coletiva. Seu chamado por candidaturas próprias não é apenas uma diretriz eleitoral, mas um ato quase filosófico de retomada da autonomia partidária. Para além de Lula, diz Edinho, o PT precisa aprender a andar com as próprias pernas — construindo lideranças, projetos e presença nacional.
Nesse horizonte, Camarão deixa de ser apenas um nome estadual e passa a ser peça estratégica num tabuleiro mais amplo, onde o Maranhão pode figurar como símbolo da reestruturação petista no pós-lulismo. Felipe, que já havia garantido ser candidato com ou sem o apoio irrestrito de Brandão, agora vê sua narrativa ganhar densidade e respaldo institucional.
A pergunta que resta é se o Maranhão, por tanto tempo relegado a alianças de conveniência, será, desta vez, palco de um experimento petista de verdade. Um experimento que não tenha medo de afirmar sua identidade, disputar espaços e formar consciências. Camarão parece disposto a conduzir esse processo, trazendo sua trajetória na educação e sua base popular como alicerces de uma nova narrativa.
