Licitação de quase R$ 8 milhões no apagar das luzes acende alerta em Itapecuru-Mirim

Uma publicação discreta no Portal Oficial do Município, datada de 15 de dezembro de 2025, foi o suficiente para acender um sinal de alerta nos meios jurídico, administrativo e político de Itapecuru-Mirim. O comunicado informa a realização de uma sessão de licitação marcada para o dia 30 de dezembro, às vésperas do encerramento do exercício financeiro, com valor estimado em quase R$ 8 milhões — combinação que, por si só, já impõe escrutínio público rigoroso.

O chamado “timing administrativo” chama atenção. A escolha de uma data situada entre o Natal e o Réveillon coincide com um período historicamente marcado por recesso informal da máquina pública, afastamento de servidores, viagens, queda no acompanhamento da imprensa e redução da vigilância da sociedade civil. Embora a legislação não proíba, de forma automática, licitações nesse intervalo, o contexto exige nível máximo de transparência, sob pena de se criar um ambiente propício a questionamentos sobre publicidade efetiva, competitividade e controle social.

Histórico que pesa

Não se trata de um debate abstrato. Em anos anteriores, processos licitatórios realizados nesse mesmo período de fim de exercício financeiro foram alvo de recomendações, questionamentos e até suspensões por órgãos de controle no Maranhão, inclusive pelo Ministério Público, com fundamento na defesa dos princípios constitucionais da moralidade administrativa, publicidade e eficiência. Esses precedentes não funcionam como acusação antecipada, mas como alerta institucional que não pode ser ignorado.

Até o momento, não há manifestação pública de órgãos fiscalizadores acerca do certame anunciado para 2025. O silêncio institucional, no entanto, não equivale a chancela automática. Em se tratando de uma contratação milionária, com potencial impacto direto sobre os cofres públicos, a ausência de esclarecimentos prévios apenas reforça a necessidade de vigilância.

Transparência não é favor, é dever

Questionar a escolha da data, o grau de publicidade e a efetiva abertura à concorrência não significa imputar ilegalidade, mas exercer um direito democrático essencial. A Administração Pública não atua em zona de conforto, sobretudo quando movimenta cifras elevadas em momentos sensíveis do calendário financeiro.

A sociedade tem o direito de saber por que uma licitação desse porte foi marcada para o apagar das luzes do ano fiscal, quais estudos justificaram a urgência, quais garantias foram adotadas para assegurar ampla participação e se haverá acompanhamento efetivo dos órgãos de controle.

A reportagem seguirá monitorando o caso, aguardando esclarecimentos oficiais, eventuais manifestações do Ministério Público ou alterações no cronograma. Informação responsável não silencia diante de contextos sensíveis — observa, questiona e cobra explicações.

Alex filósofo

O jornalista Alex Filósofo (DRT: 2255/MA), professor e apaixonado pela Filosofia, também é empreendedor, blogueiro e graduando em Marketing Digital. Além disso, se destaca como ativista social e cultural. Sua formação intelectual, influenciada pelos pensamentos de grandes nomes da filosofia e da política, resulta em uma crítica sempre desafiadora e esclarecedora.

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