Uma vereadora de primeiro mandato, eleita por um partido de forte representatividade no Estado, prometeu em palanque que não permitiria o despejo de famílias e que estaria ao lado dos mais vulneráveis. Agora, diante da iminência da retirada forçada de moradores, o silêncio fala mais alto. Pelo jeito, lisa igual bigode de gato, a promessa não passou de ilusão eleitoral.
Está previsto para esta quarta-feira (7) o cumprimento de uma liminar de reintegração de posse no Residencial Flávio Dino, em Paço do Lumiar. A medida foi requerida pela Fundação da Criança e do Adolescente, que alega ser proprietária da área.
No local, cerca de 100 famílias vivem há mais de três anos, muitas delas com crianças, idosos e trabalhadores informais. Segundo os moradores, não há alternativa habitacional, nem qualquer plano concreto de reassentamento apresentado até agora.
A situação expõe o abismo entre retórica de campanha e postura institucional. Enquanto a decisão judicial se aproxima, cresce a sensação de abandono entre as famílias que denunciaram ao blog Crítica Cotidiana que confiaram em promessas públicas feitas em voz alta, mas que agora ecoam no vazio. O episódio reacende o debate sobre responsabilidade política, direito à moradia e o custo humano quando a política se limita ao discurso.
