Município é administrado pelo presidente da Câmara, também investigado e detido, no rastro da Operação Tântalo II
O município de Turilândia atravessa uma das mais graves crises institucionais de sua história recente. Com o prefeito Paulo Curió e a primeira-dama Eva Curió presos preventivamente, e a vice-prefeita Tânya Mendes igualmente detida no âmbito da mesma investigação, o comando do Executivo municipal foi automaticamente transferido para o presidente da Câmara Municipal. O agravante é que o atual prefeito interino, vereador José Luiz Araújo, também é investigado e cumpre prisão domiciliar, mesmo assim permanecendo à frente da administração municipal.
Paulo Curió e Eva Curió foram transferidos para o Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, na última quinta-feira, 25, após audiência de custódia. Segundo o Ministério Público do Maranhão, o casal é apontado como líder de um esquema criminoso que teria desviado cerca de R$ 56 milhões dos cofres públicos ao longo dos últimos cinco anos. Além deles, também estão presos a ex-vice-prefeita Janaina Soares Lima; seu marido, Marlon de Jesus Arouche Serrão, sócio de uma das empresas investigadas e apontado como beneficiário de mais de R$ 17 milhões; e o contador da Prefeitura, Wandson Jonath Barros.
As investigações avançaram ainda mais nos dias anteriores, quando a vice-prefeita Tânya Mendes, seu marido Ilan Alfredo Mendes e cinco vereadores foram presos, todos suspeitos de participação no esquema. Outros seis parlamentares também tiveram as prisões decretadas e se apresentaram à Justiça, entre eles o presidente da Câmara Municipal. No caso de José Luiz Araújo, a detenção foi convertida em prisão domiciliar, medida semelhante à aplicada a outros dez vereadores, mas que não impediu sua ascensão ao comando interino da Prefeitura, evidenciando um cenário inédito de instabilidade política e administrativa no município.
Enquanto isso, a defesa de Paulo Curió e Eva Curió acumula reveses no Judiciário. Apenas nos últimos dias, o casal sofreu pelo menos três derrotas no Tribunal de Justiça do Maranhão ao tentar reverter as prisões preventivas. A primeira-dama já recorreu ao Superior Tribunal de Justiça, na tentativa de obter liberdade.
As prisões ocorreram no âmbito da Operação Tântalo II, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, Gaeco, do Ministério Público do Maranhão. Ao todo, foram cumpridos 51 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão. Em um único alvo, localizado em São Luís, as autoridades apreenderam quase R$ 5 milhões em espécie. As ordens judiciais foram expedidas pela 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão, por decisão da desembargadora Maria da Graça Peres Soares Amorim.
A operação é um desdobramento da Operação Tântalo, deflagrada em fevereiro deste ano. De acordo com o procedimento investigatório instaurado no Gaeco, há indícios da prática de crimes como organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de capitais, com atuação desde 2020. As investigações envolvem diversas empresas, servidores públicos, particulares e agentes políticos, aprofundando ainda mais a crise que hoje coloca Turilândia sob o comando de um prefeito interino igualmente privado de liberdade.
