A CPMI em home office para não incomodar o dono do Banco Master

Convocado a depor, o banqueiro pede para falar depois do Carnaval e por vídeo, transformando a investigação em agenda flexível e a tornozeleira em argumento para defender seus privilégios

O pedido para depor apenas após o Carnaval e por videoconferência é a tradução perfeita do Brasil das castas, onde, para o investigado, o calendário da folia tem mais autoridade que o rigor da lei. Ao sugerir que a justiça espere a quarta-feira de cinzas, o banqueiro não pede só um prazo, ele impõe o ritmo do “país que só começa o ano depois do carnaval” a uma investigação oficial. Para o cidadão comum, submetido a prazos fatais, ver a CPMI se moldar à conveniência de um investigado reforça a velha lição de que a pressa do Estado só existe para quem não tem conta em banco nem segredos de Estado no bolso.

Nesse quadro, a tecnologia da tornozeleira deixa de ser ferramenta da justiça e passa a funcionar como escudo de privilégio. A videoconferência vira o “delivery de depoimento”, permitindo cumprir o dever cívico sem o desconforto do olho no olho ou dos flashes em Brasília. Enquanto o povo encara filas e deslocamentos para garantir direitos básicos, o topo da pirâmide exige que o poder público se conecte ao seu Wi-Fi particular, transformando a investigação em algo parecido com uma reunião de condomínio.

A incoerência se completa quando a tornozeleira vira argumento para evitar o plenário. Pela própria lógica da lei, a medida cautelar não impede automaticamente o deslocamento, apenas o submete a autorização judicial, sobretudo quando o destino é uma CPMI, que não faz convite, faz convocação. O paradoxo é ainda mais gritante.

Alex filósofo

O jornalista Alex Filósofo (DRT: 2255/MA), professor e apaixonado pela Filosofia, também é empreendedor, blogueiro e graduando em Marketing Digital. Além disso, se destaca como ativista social e cultural. Sua formação intelectual, influenciada pelos pensamentos de grandes nomes da filosofia e da política, resulta em uma crítica sempre desafiadora e esclarecedora.

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