Enquanto o Estado apresenta propostas, a gestão Braide se mantém inerte nas negociações, deixando o eleitor com a pulga atrás da orelha e começando a desconfiar do modelo de gestão do prefeito, que muito prometeu resolver o problema do transporte público em São Luís, mas pouco avançou, ou nada, no assunto
Quando uma cidade para, o mínimo que se espera do governo é que pense. Não no sentido burocrático do termo, mas no sentido filosófico mais elementar, que seria formular uma resposta à realidade. A greve dos motoristas de ônibus em São Luís já atravessa vários dias e, até agora, a a gestão Braide não apresentou qualquer proposta concreta para enfrentar o impasse.
O Governo do Estado apresentou uma proposta de reajuste de 4% para os motoristas, por meio da Agência de Mobilidade Urbana. Mesmo rejeitada pela categoria, a iniciativa ao menos colocou um caminho de negociação sobre a mesa. Entre propor e se omitir, há uma diferença que não passa despercebida.
Enquanto o Governo Brandão coloca números sobre a mesa e tenta construir uma saída negociada, a gestão municipal se mantém em posição de espectadora. Há uma assimetria evidente entre quem assume o risco de propor e quem se refugia na conveniência da inércia, já recorrente ao longo dos anos de muito discurso na internet e pouca ação na prática.
Esse Modus operandi ganha contornos ainda mais relevantes quando se considera que este é um ano eleitoral. O modo como se governa hoje no Município projeta o tipo de poder que se pretende exercer amanhã no Estado. Um governante que não administra os conflitos que afetam o dia a dia da população por falta de diálogo e concessões, pode até sustentar a imagem de firmeza, mas revela, ao mesmo tempo, um limite perigoso para quem almeja voos mais altos. A política de longo alcance exige mais do que autoridade formal; exige diplomacia, capacidade de articulação, leitura de cenário e, por que não dizer, certa malandragem institucional, esse saber prático de negociar sem romper, ceder sem se anular.
No fim, a greve deixa de ser apenas uma disputa salarial e se transforma em um retrato político. De um lado, trabalhadores que reivindicam condições materiais mínimas; de outro, uma população privada do direito de ir e vir; e, no centro, um governo municipal que prefere a espera à ação. Mas não há neutralidade possível quando a cidade para, o povo lembrará.
