Entre birras políticas e prazos apertados, Paulo Victor e Braide são empurrados para a mesa para decidir o futuro de São Luís em 2026
A desembargadora Graça Soares Amorim decidiu, neste domingo, 8, em regime de plantão, derrubar a decisão de primeiro grau que havia travado a atuação da Câmara Municipal sobre o orçamento de São Luís para 2026. Com isso, o Legislativo recupera sua autonomia, mas não sem um recado direto aos dois lados do conflito: é hora de conversar.
Na prática, a decisão impõe dois prazos que mais parecem um teste de maturidade política. O presidente da Câmara, Paulo Victor (PSB), e o prefeito Eduardo Braide (PSD) têm 48 horas para sentar frente a frente e tentar construir um caminho comum. Ao mesmo tempo, os vereadores terão apenas quatro dias para votar a proposta orçamentária. Tudo isso sob o alerta de que serviços essenciais da cidade não podem virar reféns das disputas de poder.
A proposta de Lei Orçamentária Anual foi enviada à Câmara ainda em agosto de 2025 e, segundo os vereadores, seguia o rito normal até a intervenção da Vara de Interesses Difusos e Coletivos. Para a desembargadora, a Câmara, como representante da população, tem direito constitucional de organizar seus trabalhos sem tutela excessiva do Judiciário. Mas ela também reconhece que o impasse político já vinha causando prejuízos concretos ao município.
Pelas regras do processo, a decisão precisa ser cumprida até o fim desta semana. Em outras palavras, o orçamento de 2026 deixou de ser apenas um documento técnico e virou um símbolo, ou os chefes dos dois poderes conversam, ou São Luís continua pagando a conta do silêncio.
