CRÍTICA DE QUINTA | Pouco trabalho registrado, muitas suspeitas sendo apuradas

Dizem que o tempo é o melhor auditor e que uma hora a conta chega

Na política, há quem passe anos ocupando espaço sem deixar quase nenhuma marca concreta. É o caso de um parlamentar conhecido pela baixa produção legislativa, que agora sai do fundo do lago da irrelevância para nadar em um cardume de suspeitas bem mais ruidosas do que sua atuação discreta e insignificante na câmara. Para quem olhava de fora, parecia apenas inércia. Hoje, começa a parecer um modus operandi de quem não queria chamar atenção demasiada.

Segundo veículos de comunicação que jogaram a “merda no ventilador”, esse silêncio estratégico parece ter rendido frutos fora do plenário. Investigações indicam que o vereador teria se cercado de aliados, assessores e ex-servidores para alimentar o sistema da Previdência com supostas informações falsas e, assim, liberar benefícios indevidos a terceiros. O esquema só veio à tona após denúncia da Assessoria de Pesquisa Estratégica e Gerenciamento de Riscos (APE-GR), ligada ao Ministério da Previdência, que encontrou irregularidades e movimentações fora do padrão atribuídas a uma organização criminosa supostamente comandada pelo parlamentar no âmbito municipal.

Histórias antigas, antes tratadas como cochicho de bastidor da política local, ganham outro peso quando surgem documentos, relatórios e cruzamentos de dados. Eventos mal explicados, tentativas de silenciar constrangimentos e alianças feitas na base do interesse passam a ser vistos não como episódios isolados, mas como parte de um modo de operar cifras federais.

O detalhe que mais chama atenção é quase a assinatura de um atestado de culpa. Em dois mandatos, o único projeto apresentado pelo apreciador de jujubas importadas trata da “Semana do Pescador Artesanal”. Nada contra a categoria, mas é impossível não notar a coincidência: justamente o tema do único projeto é o mesmo campo onde surgem suspeitas de fraude em benefícios ligados à pesca. Para a Justiça, isso soa estranho. No mínimo, pede explicação clara. No máximo, levanta dúvidas sobre onde termina a política pública e começa o interesse pessoal.

Como dizem os pensadores de barzinho, “o poder não corrompe, ele revela”. Revela prioridades, revela escolhas e revela o que cada um faz quando acha que ninguém está olhando. A ausência de trabalho visível no parlamento nem sempre significa ausência de atividade. Como minha vó já dizia “ menino quieto tá fazendo merda”… e agora nós sabemos qual.

Agora, antigos aliados se afastam, placas desaparecem, discursos murcham. Quando surgem investigações, a regra é o silêncio ou o espanto ensaiado. Mas a política, como a vida, cobra coerência.

Para o cidadão comum, a conta é simples. Quem quase não produziu leis, teve mais falta que qualquer outro parlamentar, mas aparece em investigações, precisa explicar muito bem o que andou fazendo durante esses dois mandatos. Porque mandato não é escudo, salário não é prêmio e cargo não é licença para brincar com dinheiro público. Quando a conta chega, não é só para o político. É para a confiança dos mais de 2 mil eleitores dele que jogaram seu voto no lixo.

Alex filósofo

O jornalista Alex Filósofo (DRT: 2255/MA), professor e apaixonado pela Filosofia, também é empreendedor, blogueiro e graduando em Marketing Digital. Além disso, se destaca como ativista social e cultural. Sua formação intelectual, influenciada pelos pensamentos de grandes nomes da filosofia e da política, resulta em uma crítica sempre desafiadora e esclarecedora.

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