Primeira Cruz começou o novo ciclo da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) do lado de fora. O município aparece na lista divulgada pelo Ministério da Cultura como um dos que não receberam recursos por pendências no Plano de Aplicação de Recursos (PAR), etapa obrigatória para liberação dos valores federais destinados à cultura.
O dado é objetivo e está no sistema oficial: sem o PAR regularizado, não há repasse. Nos bastidores, a leitura que circula entre agentes culturais e técnicos é de que a pendência pode estar associada à necessidade de esclarecimentos sobre recursos anteriores — cerca de R$ 122 mil referentes a 2025 — que ainda dependem de consolidação e validação formal nas plataformas federais.
O efeito prático já é sentido: enquanto outros municípios avançam com novos investimentos culturais, Primeira Cruz fica parada, travada por exigências administrativas básicas. Para quem vive da cultura, o impacto é direto — menos editais, menos incentivo e mais incerteza.
O episódio acende um alerta político silencioso: em tempos de disputa por recursos e protagonismo institucional, perder verba por pendência documental não passa despercebido. Procurada, a gestão municipal pode esclarecer a situação e indicar quais medidas estão sendo adotadas para regularizar o sistema e reverter o bloqueio. Até lá, o que prevalece é o registro oficial: recurso disponível, mas inacessível.
