Jerry jura fidelidade a Camarão
Maquiavel sabia que, na política, a fidelidade raramente é permanente. Quem jura lealdade diante dos holofotes, muitas vezes já testa novos caminhos longe deles. Não se trata de maldade, mas da lógica do poder, que dificilmente tolera espaços vazios
Foi nesse espírito que o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) resolveu, nesta semana, sair a campo para desmentir um fantasma. Segundo apurou o jornalista Marco Aurélio D’Eça, Jerry garantiu que não há articulação em curso entre remanescentes do governo Flávio Dino, os chamados “dinistas”, e o ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD) para uma composição eleitoral em outubro. A aposta, segundo ele, segue firme em Felipe Camarão (PT), vice-governador e pré-candidato da federação.
Este humilde blogueiro nota, porém, que Jerry não negou que o movimento exista, apenas negou que tenha sua bênção. É a diferença, cara leitora, caro leitor, entre dizer “não há incêndio” e dizer “eu já mandei chamar os bombeiros”. Segundo o próprio Jerry admitiu ao jornalista, alguns dinistas de fato se movimentam em torno de Braide. Ele diz já os ter alertado. Alertado, não impedido.
Quanto ao governador Carlos Brandão, Jerry foi categórico: não há reabertura de diálogo. “O tempo dos acordos com o Brandão já passou”, teria dito o deputado, prevendo a derrota do governador nas urnas como consequência direta de acordos anteriores descumpridos.
A federação PT-PCdoB-PV, garante ele, estará unida em torno de Camarão. E o PSB? Aí a certeza de Jerry esbarra na realidade: segundo a matéria de D’Eça, ainda falta a palavra final da senadora Ana Paula Lobato e do deputado Othelino Neto, as verdadeiras lideranças do partido no estado. Jerry aposta que o PSB seguirá o mesmo caminho. Aposta, note-se, não é confirmação, é o que Aristóteles chamaria de opinião provável, não de conhecimento demonstrado.
