Bastidores da PolíticaIntolerância religiosaMaranhão

Quilombo de Miranda repudia defesa de Aluísio Mendes a ex-prefeito condenado por racismo religioso

Comunidade tradicional de Rosário reage após deputado federal usar tribuna da Câmara para questionar condenação de Calvet Filho

A comunidade quilombola de Miranda, no município de Rosário, manifestou revolta após o deputado federal Aluísio Mendes (Republicanos) subir à tribuna da Câmara dos Deputados, em Brasília, para defender a inocência do ex-prefeito de Rosário, Calvet Filho (Republicanos). Segundo apurou a redação, o parlamentar chegou a acusar o Judiciário maranhense de ter sofrido “influência” para condenar o ex-gestor.

Calvet Filho foi condenado no dia 30 de junho pela 2ª Vara da Comarca de Rosário a uma pena unificada de 6 anos, 1 mês e 15 dias de reclusão, em regime inicial semiaberto, pelos crimes de racismo religioso e injúria qualificada. A sentença, proferida pelo juiz Bruno Barbosa Pinheiro, também determinou o pagamento de indenização de R$ 20 mil, sendo R$ 10 mil destinados à vítima e R$ 10 mil a um fundo de preservação da identidade cultural e proteção das comunidades quilombolas de Rosário, além da suspensão dos direitos políticos do ex-prefeito, que ficou impedido de concorrer a cargos eletivos nas eleições deste ano.

Entenda o caso

O processo tem origem em uma live transmitida por Calvet Filho em seu perfil no Instagram, em janeiro de 2025, durante a solenidade de posse do atual prefeito de Rosário, Jonas Magno (PDT). Na ocasião, a faixa de prefeito foi entregue por José Ribamar Cantanhede, de 73 anos, conhecido como Mestre Zé Ribeiro, liderança do tradicional Tambor de Crioula do povoado de Miranda.

Em tom alterado, o ex-prefeito afirmou que quem havia entregado a faixa ao novo gestor era um “macumbeiro” e “umbandista”, e que a cidade estaria sendo “consagrada a Satanás”. Segundo a denúncia do Ministério Público do Maranhão (MPMA), que resultou na condenação, as declarações configuraram discriminação racial e religiosa contra Mestre Zé Ribeiro e, por extensão, contra as religiões de matriz africana e a comunidade quilombola da região.

Na sentença, o juiz destacou que a fala de Calvet Filho promoveu uma “demonização sistêmica” de crenças tradicionais diante de milhares de seguidores nas redes sociais, e considerou irrelevante o fato de Mestre Zé Ribeiro se autodeclarar católico, já que a religião alheia teria sido instrumentalizada para humilhar a vítima. Em depoimento, o ex-prefeito alegou ter agido sob “forte estado de ira” em razão de supostas perseguições políticas, mas a tese não foi acolhida pelo magistrado. A defesa já recorreu ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA).

A defesa de Aluísio na tribuna

De acordo com o site Maranhão de Verdade, foi nesse contexto que o deputado Aluísio Mendes decidiu usar a tribuna da Câmara para questionar publicamente a condenação, sugerindo que o Judiciário maranhense teria agido sob influência externa no julgamento do caso, fala que, segundo apurou a redação, motivou a reação imediata de moradores e lideranças do quilombo de Miranda, que veem no discurso do parlamentar uma tentativa de deslegitimar uma decisão judicial fundamentada em provas e depoimentos colhidos ao longo da instrução processual.

Alex filósofo

O jornalista Alex Filósofo (DRT: 2255/MA), professor e apaixonado pela Filosofia, também é empreendedor, blogueiro e graduando em Marketing Digital. Além disso, se destaca como ativista social e cultural. Sua formação intelectual, influenciada pelos pensamentos de grandes nomes da filosofia e da política, resulta em uma crítica sempre desafiadora e esclarecedora.

Alex filósofo

Alex filósofo

O jornalista Alex Filósofo (DRT: 2255/MA), professor e apaixonado pela Filosofia, também é empreendedor, blogueiro e graduando em Marketing Digital. Além disso, se destaca como ativista social e cultural. Sua formação intelectual, influenciada pelos pensamentos de grandes nomes da filosofia e da política, resulta em uma crítica sempre desafiadora e esclarecedora.

Deixe um comentário