A prova de fogo que espera quatro vereadores de Paço do Lumiar; na contramão do grupo
Na política, existem eleições que elegem. E existem eleições que revelam…
A disputa de 2026 promete ser esse segundo caso para pelo menos quatro nomes da Câmara Municipal de Paço do Lumiar. O presidente da Câmara, Fernando Feitosa (Podemos), o vereador Joel do Churrasco (PSDB), a vereadora Mary do Mojó (PL) e provavelmente o vereador Éder Alencar(União), que se aventurarão na disputa por uma vaga na Câmara Federal.
Joel e Mary, vale registrar, haviam anunciado inicialmente a pretensão de disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Maranhão. Foi somente depois de uma fatídica reunião relatada por este site Crítica cotidiana que os dois mudaram de ideia, ou foram levados, a migrar para o federal.
O cenário no qual os quatro disputarão não é aleatório.
Como este humilde blogueiro revelou com exclusividade antes de qualquer outro veículo, o mais alto mandatário da cidade reuniu 15 vereadores numa noite de segunda-feira e definiu os rumos eleitorais do grupo que comanda nossa provinciana cidade. O encontro, segundo informações recebidas pela redação, delineou um palanque claro e unificado: Maedja Campos, esposa do prefeito, para deputada estadual, e Iracema Vale, atual presidente da Assembleia Legislativa, para deputada federal. O próprio manda chuva depois confirmou publicamente a candidatura da primeira-dama.
Mas acontece que três figuras da casa do povo resolveram se lançar como candidatos, mesmo sem articulação ou apoio de qualquer liderança, já que todas estarão a serviço do grupo… e eles não estão nem entre as primeiras opções…
Fernando Feitosa por exemplo chega a essa possível disputa carregando uma trajetória que dificilmente pode ser chamada de tranquila. Durante sua presidência na Câmara Municipal, o nome do vereador esteve no centro de diversas controvérsias que foram amplamente noticiadas pela imprensa local e acompanhadas por este humilde e vigilante blogueiro.
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Entre os episódios que marcaram o período estão questionamentos sobre transparência administrativa, o desaparecimento temporário de informações do portal da Câmara e denúncias envolvendo uma confraternização de parlamentares ao estilo projeto X que ganhou repercussão em toda a cidade. Na época, as alegações foram divulgadas publicamente e geraram forte debate político, porém o caso foi abafado e os envolvidos supostamente silenciados.
O problema para Feitosa não é apenas responder aos adversários sobre seu controverso mandato. É convencer um eleitor de fora do município, e até mesmo de dentro, de que sua passagem pelo comando do Legislativo municipal produziu mais resultados do que polêmicas.
Joel do Churrasco percorre caminho diferente.
Construiu seu nome a partir do empreendedorismo, ampliou presença nas redes sociais e transformou popularidade em votos.
Mas eleições federais costumam ser menos generosas com candidatos cuja principal força está concentrada em uma única cidade.

Ao longo do seu mandato, Joel buscou proximidade com lideranças importantes do cenário maranhense e passou a circular em agendas políticas cada vez maiores com um estilo peculiar de bajulação aos caciques. Ainda assim, permanece uma pergunta que inevitavelmente aparecerá durante a campanha: qual foi a marca deixada por sua atuação parlamentar além dos seus discursos desconexos?
A política é cruel com quem confunde visibilidade com legado.
Mary, supostamente do Mojó, representa um tipo diferente de aposta.
Filiada ao PL, chega à disputa federal carregando o peso e o símbolo de um partido que, no cenário nacional, vive sob a sombra do bolsonarismo, mas que no Maranhão ainda precisa provar que tem estrutura para além das narrativas importadas da capital federal.

Por último temos informações de bastidores que o vereador Éder Alencar também colocará seu nome a prova… apesar de já ter sido noticiado por este site como um dos mais atuantes, o jogo é bruto e também como os demais já começa em desvantagem nadando contra a correnteza que é determinada pelo mais alto mandatário…
Em 2026, tanto Fernando quanto Joel, Éder Alencar e Mary do “Mojó” enfrentarão um desafio que vai expor o seu trabalho, ou a falta dele no legislativo. Terão de provar que representam algo maior do que seus interesses pessoais.
E a aritmética não perdoa.
Um vereador de Paço do Lumiar se elege, historicamente, com algo entre 500 e 2 mil votos. Mas a régua federal é outra. Com dezoito vagas em disputa no Maranhão e um quociente eleitoral que gira na casa das centenas de milhares, a cláusula de barreira individual já exige, sozinha, uma votação na casa dos quinze mil votos só para o nome não ser descartado nas contas do partido. Um desempenho entre 15 e 25 mil votos seria aceitável, prova de que o nome saiu do município. Entre 25 e 40 mil, já seria motivo de comemoração, com chance real de cadeira. Abaixo de 5 mil, porém, seria uma humilhação pública, menos do que muitos deles tirariam apenas puxando o próprio bairro numa eleição municipal.
A Câmara Federal nunca foi, pelo menos em Paço, o caminho natural dos provincianos representantes do povo. Prova disso é que há anos não temos representantes no legislativo federal vindos do município.
É outro jogo. Com regras diferentes, adversários mais fortes e um eleitor muito menos disposto a votar apenas pelo rosto conhecido.
A brasa já está acesa.
Agora resta saber quem conseguirá atravessar o fogo e quem será dilacerado por ele.
