Papo de Filósofo: 90% do que te aflige não te pertence
“Não são as coisas que perturbam os homens, mas as opiniões que eles têm sobre as coisas.”
Epicteto
Havia um escravo na Roma antiga que sabia mais sobre liberdade do que os homens livres ao seu redor.
Chamava-se Epicteto. E ensinava uma ideia simples, quase incômoda de tão óbvia: existe uma linha, invisível, mas absoluta, que separa o que é seu daquilo que nunca foi.
De um lado, o pequeno território que você de fato governa. Seus pensamentos. Seus julgamentos sobre o que acontece. Seus desejos, suas recusas. A forma como reage, ou escolhe não reagir, diante do que a vida empurra para cima de você.
Do outro lado, o resto do universo. O trânsito. O clima. A opinião alheia. O resultado do seu esforço, que por mais que você sue, nunca é só seu, depende de mil variáveis que não pedem sua permissão.
O erro, dizia Epicteto, é confundir os dois territórios.
É gastar a paz interna tentando controlar o que nunca esteve sob controle. É se ferir tentando mudar o passado, adivinhar o futuro, ou convencer quem já decidiu não ser convencido.
A liberdade, nessa lógica, não é ausência de obstáculos. É a recusa em sofrer por aquilo que não lhe pertence.
Parece pouco. É quase tudo.
Porque a pergunta que resta, e que este humilde escriba deixa no ar, como manda o figurino, não é “o que está errado lá fora”. É outra, mais difícil de encarar: quanto da sua inquietação de hoje pertence, na verdade, a você?
