Papo de filósofo | O medo do próprio tamanho
Talvez você não tenha medo das coisas não darem certo. Talvez tenha medo de descobrir do que seria capaz se parasse de se sabotar
Existe um tipo peculiar de medo que não faz você desistir de imediato. Ele faz você adiar uma decisão. Faz você esperar o momento perfeito que pode nunca chegar, inventar uma desculpa razoável e chamar de prudência aquilo que, no fundo, é apenas medo.
E assim a nossa história vai sendo construída no “quase”.
Quase fomos. Quase tentamos. Quase chegamos.
O curioso é que, muitas vezes, não recuamos diante da possibilidade de perder. Recuamos diante da possibilidade de dar tudo certo e, depois que as coisas mudarem, não podermos mais voltar a ser quem éramos.
A gente diz que quer crescer, mas crescimento cobra um preço. Algumas versões de nós precisam morrer. Algumas certezas precisam ser abandonadas. Algumas pessoas talvez precisem ficar pra trás.
Nietzsche dizia que é preciso tornar-se aquilo que se é. Só que ninguém avisa o quanto isso pode doer.
A serpente que não troca de pele permanece presa à própria pele.
Talvez seja isso que nos assuste tanto. Não a queda, mas a altura. Não o fracasso, mas a responsabilidade de descobrir que somos capazes de muito mais do que imaginávamos.
Então talvez a pergunta não seja “eu consigo mudar?”.
Talvez seja:
“Estou disposto a deixar de ser quem fui para descobrir quem posso me tornar?”
