Pesquisa levanta mais dúvidas do que certezas em São José de Ribamar
Apresentada como um “mapa político claro”, a pesquisa divulgada pelo Instituto Luneta sobre o cenário eleitoral em São José de Ribamar tem provocado questionamentos nos bastidores políticos e entre analistas mais atentos. Longe de apontar hegemonias consolidadas, os próprios números do levantamento indicam um quadro de elevada indefinição, no qual conclusões categóricas parecem apressadas.
O estudo ouviu 822 eleitores em um dos maiores colégios eleitorais do Maranhão. Embora tecnicamente aceitável em termos formais, o tamanho da amostra é considerado modesto diante da complexidade política do município — sobretudo quando se observa que mais da metade do eleitorado permanece indecisa no cenário estimulado e impressionantes 92,34% não conseguem apontar espontaneamente qualquer nome. Para especialistas, esses índices revelam um ambiente político em suspensão, não uma liderança cristalizada.
Nesse contexto, a tentativa de projetar Júlio Filho como “principal força local” levanta sobrancelhas. Com pouco mais de 13% das intenções de voto no cenário estimulado e desempenho residual no espontâneo, o desempenho parece refletir mais a ausência momentânea de concorrentes claramente identificados do que um capital político próprio robusto. A leitura predominante é de que se trata de um nome ainda em construção, fortemente associado à estrutura familiar e ao sobrenome, e não a uma trajetória autônoma ou a um legado administrativo mensurável.
Nos meios políticos, também chama atenção a narrativa que tenta vincular esse desempenho local à popularidade do prefeito de São Luís, Eduardo Braide. A associação é vista como estratégica, mas forçada. Braide possui base eleitoral consolidada em seu território, com identidade política própria. Transferir automaticamente essa força para Ribamar, por meio de alianças indiretas ou cabos eleitorais ainda incipientes, é uma operação de alto risco — especialmente quando os números revelam um eleitorado majoritariamente indeciso.
Outro ponto que não passa despercebido é o enfraquecimento gradual do grupo político tradicional que sustenta o pré-candidato, marcado por erros recentes de articulação e pelo afastamento de quadros considerados estratégicos na engrenagem administrativa. Esse movimento interno ajuda a explicar por que, apesar da máquina e da exposição, os percentuais seguem modestos e pouco elásticos.
Em síntese, a pesquisa acaba revelando menos sobre hegemonias e mais sobre a fragilidade do cenário atual. Quando a maioria absoluta do eleitorado não manifesta preferência clara, proclamar lideranças soa mais como esforço de construção narrativa do que como reflexo fiel da realidade política. Em Ribamar, ao que tudo indica, o jogo ainda está aberto — e muito longe de qualquer definição antecipada.
