Recursos que deveriam permanecer sob proteção judicial foram parar em banco citado em investigação ligada ao caso do Banco Master, agora o CNJ pede explicações
O presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão, desembargador José Ribamar Froz Sobrinho, recebeu prazo de 15 dias para explicar a transferência de R$ 2,8 bilhões em depósitos judiciais para o Banco de Brasília, instituição que é investigada em um caso ligado ao escândalo envolvendo o Banco Master. A determinação partiu do Conselho Nacional de Justiça e foi formalizada em decisão assinada pelo corregedor nacional, Mauro Campbell Marques, no dia 13 de fevereiro.
O procedimento foi aberto na Corregedoria Nacional por meio de um Pedido de Providências. O CNJ quer saber como a escolha foi feita e quais garantias respaldaram a retirada dos valores do Banco do Brasil para o Banco de Brasília, que aparece em investigações relacionadas ao episódio do Banco Master. Os recursos transferidos correspondem a depósitos judiciais vinculados a processos ainda em andamento, que precisam permanecer protegidos até decisão definitiva da Justiça.
No Maranhão, a autorização foi dada diretamente pela presidência do tribunal. Agora, o TJ-MA deverá apresentar um relatório detalhado, indicando os critérios técnicos adotados, a base legal da decisão, as tratativas realizadas e as garantias financeiras oferecidas na operação. O contexto chama atenção porque envolve justamente o Banco de Brasília, alvo de apurações da Polícia Federal por negociações consideradas irregulares ligadas ao caso do Banco Master, ocorrido em 2025.
Além do tribunal maranhense, outros quatro tribunais estaduais também terão de prestar esclarecimentos ao CNJ. Somados, os valores analisados podem chegar a aproximadamente R$ 30 bilhões. O que começou como um questionamento administrativo virou procedimento formal, e agora o prazo corre contra Froz Sobrinho, que terá pouco menos de duas semanas para justificar uma decisão bilionária envolvendo um banco citado em investigações de grande repercussão nacional.
