A prorrogação rendeu 34 mil votos; a vitória de Lula, 4,4 milhões de diferença. A margem é cerca de 130 vezes maior que o “problema” apontado por Flávio
Os números da prorrogação da votação no segundo turno enfraqueceram a principal bandeira da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra o resultado da eleição. Segundo levantamento da Setup.news, parceira da CNN Brasil, apenas cerca de 34 mil eleitores votaram em todo o país depois do horário regular de encerramento, às 17h, quando o ministro Cristiano Zanin, do STF, estendeu o funcionamento das seções até as 19h. A medida atendeu a pedidos das campanhas de Flávio e de Lula (PT). Ainda assim, após a proclamação da vitória petista, o senador disse ser impossível reconhecer o resultado e prometeu pedir a anulação do pleito, alegando interferência do ministro.
O detalhamento dos dados mostra que o impacto prático da prorrogação foi mínimo. Foram 29.001 votos entre 17h e 17h05, com 13.961 deles no primeiro minuto, o que sugere que eleitores já estavam na fila antes do fechamento oficial. Até o último voto, às 19h06, outros 5.329 foram computados. A ordem de Zanin só foi comunicada pelo presidente do TSE, Nunes Marques, aos tribunais regionais às 17h49. Depois das 18h, o país registrou 1.993 votos e, depois das 19h, apenas 11. Para efeito de comparação, no primeiro turno, 3.724.999 eleitores votaram após as 17h.
Diante da diferença de 4,4 milhões de votos a favor de Lula, o volume registrado na prorrogação não teria como alterar o desfecho, e isso pesou na decisão da campanha de Flávio. Em menos de 24 horas, o senador abandonou a ideia de questionar a validade da votação e passou a concentrar a ofensiva jurídica em ações que apontam supostos abusos de poder político e econômico por parte da campanha do PT. Segundo a CNN Brasil, o entorno do candidato avaliava ter “chance zero” de desfecho favorável em ação no TSE.
O recuo, porém, não é unânime no campo bolsonarista. Na segunda-feira (26), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, anunciou que o partido reconhece o resultado, ressalvando que os questionamentos levantados precisam ser esclarecidos em debate político equilibrado. Flávio, por sua vez, segue sem reconhecer a vitória de Lula, mesmo após ser aconselhado a fazê-lo e a telefonar ao presidente eleito por aliados como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o senador Rogério Marinho (PL-RN), a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a advogada Maria Cláudia Bucchianeri.

