Senador foi proibido por Moraes de sair do país e teve os passaportes recolhidos; registros de voo não mostram decolagem para os EUA, e a PF não achou passagem por fronteira regular
A Polícia Federal acionou, na manhã desta terça-feira (27), autoridades da Argentina para checar se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil por um aeroporto do país vizinho. A verificação ocorre um dia depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a entrega de seus passaportes e proibi-lo de sair do país. Até a conclusão das verificações, a suposta viagem permanecia sem confirmação oficial.
A suspeita partiu do site argentino Infobae. Segundo o veículo, Flávio teria cruzado a fronteira e embarcado em Puerto Iguazú, na província de Misiones, em um jato Gulfstream G400, com decolagem prevista para as 2h de terça. A aeronave, de matrícula LV-JQW, está registrada desde 2020 em nome da empresa argentina Baires Fly S.A. O site afirma que o senador entrou na Argentina com a carteira de identidade. Dados do Flightradar mostram que o avião saiu de Buenos Aires e pousou em Puerto Iguazú às 23h45 de segunda (26). Registros públicos de rastreamento, porém, não mostram decolagem para os Estados Unidos.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha de Flávio, negou que ele tenha deixado o país. Interlocutores e assessores do senador também afirmaram à imprensa que ele estaria em casa. Uma equipe do ICL Notícias foi à residência dele em Brasília na manhã desta terça, e ninguém atendeu o interfone. A ausência de resposta, por si só, não confirma nem desmente a versão. O governo argentino, por meio do porta-voz Fabián Fernández, negou que Flávio tenha dado entrada no país. A PF não encontrou registro de passagem do senador por fronteira regular com a Argentina.
Moraes determinou o cancelamento dos passaportes brasileiros de Flávio, incluindo o diplomático, e proibiu que ele deixe o país. O senador também não pode manter contato com o advogado Willer Tomaz e precisa entregar, em até 24 horas, eventuais passaportes de outras nacionalidades. A decisão está sob segredo de Justiça e foi divulgada pelo próprio senador. Em vídeo, Flávio disse que a decisão se baseou em fala do irmão, Eduardo Bolsonaro, de 23 de outubro, segundo a qual ele deveria deixar o país se perdesse a eleição. O senador afirmou que nunca pensou em sair do Brasil.
A ordem foi dada no inquérito que apura lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo Flávio e Willer Tomaz. Com ele, Flávio passou a ser investigado em dois inquéritos no STF. O outro trata do pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse” e tem relatoria do ministro André Mendonça. Na semana passada, Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões de Willer, investigado por suspeitas de lavagem ligadas a bets. Flávio e Tomaz reconhecem a amizade, mas negam manter negócios em conjunto.
A medida de Moraes veio um dia após Flávio ser derrotado por Lula no segundo turno, com 48,21% dos votos válidos.

