FilosofiaReflexão

E se você tivesse que viver sua vida exatamente como ela é, para sempre?

“E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse até a tua mais solitária solidão e te dissesse: esta vida, tal como a vives agora e a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e inúmeras vezes mais?” — Friedrich Nietzsche, A Gaia Ciência

Imagine que, hoje, quando você estiver sozinho, alguém apareça e diga uma coisa terrível.

Você terá que viver tudo novamente.

Não apenas as coisas boas. Tudo excessão.

As mesmas escolhas, os mesmos erros, as mesmas pessoas, as mesmas perdas, as mesmas oportunidades desperdiçadas. Até aquelas noites em que você ficou acordado contando o forro pensando na vida, mas não fez absolutamente nada para mudá-la.

E não será uma segunda chance.

Será exatamente igual.

Existe uma frase popular que resume, de maneira quase brutal, a condição humana: “A vida é só uma, depois que perde não se vive mais.”

Foi essa a provocação que Nietzsche colocou diante do ser humano ao formular o Eterno Retorno. Em A Gaia Ciência, o filósofo imagina um demônio anunciando que cada instante da nossa existência terá de ser vivido novamente, inúmeras vezes, por toda a eternidade.

A pergunta parece absurda.

Mas talvez seja uma das perguntas mais sérias que alguém possa fazer sobre a própria vida.

Você gostaria de repetir a vida que está vivendo agora?

Porque existe uma coisa curiosa na existência humana. Nós sabemos que vamos morrer, mas vivemos como se tivéssemos tempo infinito.

Adia-se a conversa importante. O projeto fica para depois. O pedido de desculpas nunca chega. O sonho vira “um dia”. A coragem é substituída pela desculpa mais confortável do mundo: “agora não é o momento”.

E os dias passam.

Um de cada vez.

Sem fazer barulho.

O problema é que a vida não precisa acabar em uma grande tragédia para ser desperdiçada. Às vezes, ela simplesmente vai sendo empurrada para amanhã.

E amanhã vira segunda-feira.

Segunda-feira vira mês que vem.

Mês que vem vira ano que vem.

Até que um dia percebemos que passamos anos esperando começar a viver.

É justamente nesse ponto que Nietzsche aperta o parafuso.

O Eterno Retorno não precisa ser entendido apenas como uma teoria sobre o universo. Ele pode funcionar como um teste brutal de afirmação da existência.

Se a resposta for sim, talvez exista alguma coisa na sua vida pedindo coragem.

Se você soubesse que teria de repetir eternamente o dia de hoje, mudaria alguma coisa?

Talvez seja uma decisão.

Talvez seja uma relação.

Talvez seja um sonho abandonado.

Talvez seja você mesmo.

Alex filósofo

O jornalista Alex Filósofo (DRT: 2255/MA), professor e apaixonado pela Filosofia, também é empreendedor, blogueiro e graduando em Marketing Digital. Além disso, se destaca como ativista social e cultural. Sua formação intelectual, influenciada pelos pensamentos de grandes nomes da filosofia e da política, resulta em uma crítica sempre desafiadora e esclarecedora.

Alex filósofo

Alex filósofo

O jornalista Alex Filósofo (DRT: 2255/MA), professor e apaixonado pela Filosofia, também é empreendedor, blogueiro e graduando em Marketing Digital. Além disso, se destaca como ativista social e cultural. Sua formação intelectual, influenciada pelos pensamentos de grandes nomes da filosofia e da política, resulta em uma crítica sempre desafiadora e esclarecedora.

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