Marçal promete levar a capital federal para o Maranhão; o Estado mais pobre do país vira, outra vez, cenário de promessa megalomaníaca presidencial
Pablo Marçal voltou a prometer que, se chegar à Presidência da República, pretende transferir a capital federal de Brasília para o Maranhão. A declaração foi feita nesta segunda-feira (17), durante participação no podcast “RedCast”, quando o candidato do PRTB comparou a proposta à construção de Brasília no governo de Juscelino Kubitschek e afirmou que pretende superar o tempo levado para erguer a atual capital federal.
A ideia, porém, está longe de ser nova. Em setembro de 2024, quando disputava a Prefeitura de São Paulo, Marçal já havia anunciado que levaria a capital para o Maranhão caso um dia fosse eleito presidente. Na ocasião, apresentou a mudança como uma estratégia para promover o desenvolvimento do Nordeste, fazendo referência ao impacto que Brasília teria provocado na ocupação e na economia do Centro-Oeste.
Desta vez, a proposta apareceu com mais detalhes. Segundo Marçal, apenas a estrutura política seria transferida para o Maranhão, enquanto a estrutura judiciária permaneceria em Brasília. Ele também falou em uma espécie de divisão temática do país, com Rio de Janeiro como polo turístico, São Paulo como centro financeiro e outros estados assumindo funções ligadas à mineração. Apesar da dimensão da promessa, nenhuma cidade maranhense foi indicada para receber a nova capital.
O Maranhão, escolhido por Marçal como destino do poder político nacional, é justamente o estado que apresenta o menor rendimento domiciliar per capita do país. Segundo o IBGE, o valor foi de R$ 945 em 2023, contra R$ 1.893 na média nacional.
Há, contudo, um detalhe que não pode ficar fora da história. Marçal está atualmente inelegível por condenações da Justiça Eleitoral relacionadas à campanha de 2024. Ao mesmo tempo, ele tenta reverter essas decisões e obteve recentemente uma liminar que regularizou provisoriamente sua filiação ao PRTB, abrindo caminho para que o partido tente registrar sua candidatura à Presidência. Ou seja, a promessa de construir uma nova capital ainda precisa enfrentar uma questão bem mais imediata: a própria possibilidade jurídica de disputar a eleição de 2026.
Para o Maranhão, fica uma pergunta que talvez seja mais importante do que a promessa em si: o Estado está sendo apresentado como um projeto estratégico de desenvolvimento nacional ou apenas como mais um cenário para uma campanha presidencial que precisa de grandes frases, grandes promessas e um grande palco?
