Eleitores impõem uma derrota histórica ao presidente, que agora enfrentará dois anos de Congresso hostil, vetos em série e investigações
Os Democratas venceram as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos (as midterms 2026), realizadas em 3 de novembro, e assumirão o controle da Câmara e do Senado em janeiro de 2027. Os eleitores deram uma forte reprimenda a Donald Trump, que passa a governar os dois últimos anos de mandato com o Legislativo nas mãos da oposição.
Resultado das eleições nos EUA: o tamanho da vitória democrata
Na Câmara dos Representantes, a projeção da NBC News é de 258 cadeiras democratas, número que o partido não alcançava desde 1993. A maioria exige 218. Segundo a Al Jazeera, com base na apuração da Associated Press, os Democratas já tinham 228 cadeiras confirmadas e lideravam em outras 34, além de 25 cadeiras tiradas dos Republicanos. A CBS News informa que cerca de 75 disputas ainda não tinham desfecho, por isso o placar final pode variar.
No Senado, onde os Republicanos tinham 53 das 100 cadeiras, os Democratas venceram em Maine, Ohio, Iowa, Kansas, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Texas, e mantiveram Minnesota. Alasca e Mississippi seguiam indefinidos na manhã desta quarta-feira (4), segundo a Newsweek.
Por que Trump perdeu: custo de vida e baixa aprovação
A CBS News aponta que a aprovação de Trump era de 38% nas pesquisas de boca de urna e que 89% dos eleitores consideraram o custo de vida um fator importante ou decisivo. A MS NOW lembra que os Democratas transformaram a eleição em referendo sobre a economia, a ofensiva contra a imigração e a lei de cortes de impostos e gastos defendida pelos Republicanos.
“Sr. Veto”: a resposta de Trump à derrota
Antes mesmo da votação, Trump dizia que adotaria o papel de “Sr. Veto”. À CBS News, ele afirmou ter “the ultimate power — it’s called ‘veto'” (o poder máximo, chamado veto). A aposta é que, depois de meses de projetos barrados, os Democratas acabariam procurando a Casa Branca para negociar.
Após o resultado, Trump disse que quer trabalhar com os Democratas, mas vetará o que eles aprovarem. Um aliado ouvido pela CBS afirmou que o presidente manterá poder de agir sozinho em comércio, fronteira e gestão do governo federal, o que indica mais atos unilaterais do Executivo.
O que muda em Washington a partir de janeiro
- Investigações: com a maioria na Câmara, os Democratas ganham poder de intimação e de fiscalização sobre o governo, a família e os negócios de Trump.
- Agenda legislativa: a pauta republicana perde fôlego. A CBS descreve o cenário como a paralisação da agenda legislativa de Trump nos últimos dois anos de mandato.
- Nomeações: controlando o Senado, a oposição passa a ter peso sobre indicações a tribunais federais e à Suprema Corte, segundo a Newsweek.
- Impeachment: a Câmara pode abrir um novo processo, mas a condenação exige dois terços do Senado (67 votos). A Constituição torna a destituição um caminho difícil.
O futuro do Trumpismo e a corrida de 2028
O resultado abre uma pergunta dentro do Partido Republicano sobre o alcance da influência de Trump sobre o eleitor, em plena largada para a sucessão de 2028. Trump não pode concorrer novamente, e o debate sobre quem herdará o movimento começa enfraquecido pela derrota.
Perguntas frequentes sobre as midterms 2026
Quem ganhou as eleições de meio de mandato nos EUA em 2026?
Os Democratas, que conquistaram a Câmara e o Senado, segundo projeções de NBC, CBS e CNN.
Trump pode sofrer impeachment?
A Câmara pode abrir o processo por maioria simples, mas a condenação exige dois terços do Senado.
O que é um lame duck?
É o presidente politicamente enfraquecido nos anos finais do mandato, sem chance de reeleição e com o Congresso contra ele.
Quando o novo Congresso toma posse?
Em 3 de janeiro de 2027.

